Os três sobreviventes da queda de um helicóptero na zona rural de Iaras, no interior de São Paulo, resgatados na manhã deste domingo (20) teriam ligado com o PCC (Primeiro Comando da Capital paulista) . A aeronave havia caído na madrugada de hoje (20) em uma área de mata de difícil acesso. O resgate de 12 horas foi iniciado após um dos próprios ocupantes conseguir ligar para a Polícia Militar pedindo socorro.

A operação de salvamento mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, a Força Tática do 53º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) e o helicóptero Águia do Comando de Aviação da PM.

Após o resgate, as vítimas foram encaminhadas para o Pronto-Socorro de Avaré. Devido ao perfil dos envolvidos e à descoberta de mandados de prisão, um forte contingente policial foi mobilizado para fazer a escolta ostensiva do local.

Falsa identidade e histórico criminal

A ocorrência assumiu caráter criminal após consultas ao sistema Muralha Paulista e aos bancos de dados da corporação. Um dos passageiros mentiu o nome aos policiais durante o resgate para tentar despistar as equipes. A checagem confirmou que o homem é foragido da Justiça, com registros por tráfico de drogas, roubo e cárcere privado, além de ter ligação com outro integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) atuante no Guarujá. Um exame datiloscópico (perícia de impressões digitais) foi solicitado para confirmar oficialmente sua identidade.

O piloto do helicóptero, identificado como José Tadeu dos Santos, é ex-militar da Aeronáutica e cumpre histórico com a Justiça: ele já cumpriu cerca de 15 anos de pena por narcotráfico internacional de drogas provenientes do Paraguai. Registros preliminares indicam que ele não possui licença válida de piloto junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Em 2012, Santos já havia sido preso transportando 200 quilos de cocaína em um avião. Na ocasião, foi detido ao lado de Felipe Ramos, o “Felipó” — homem que, anos depois, seria acusado de participação na emboscada que resultou nas mortes das lideranças do PCC Gegê do Mangue e Paca, ocorrida no Ceará em 2018.

Aeronave irregular e voo clandestino

Consultas junto à ANAC e ao Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) revelaram que a aeronave operava em situação completamente irregular. O Certificado de Aeronavegabilidade (CA) do helicóptero estava vencido desde maio de 2019, o que mantinha seu registro inativo.

O veículo também não possuía autorização para operar serviços de táxi aéreo (RBAC nº 135) nem para transporte aéreo regular (RBAC nº 121), configurando violação direta ao Código Brasileiro de Aeronáutica (CBAer).

Investigação e enquadramento jurídico

O local do acidente foi isolado para os trabalhos de perícia técnica do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa).

O caso foi encaminhado para a Polícia Civil e registrado sob as tipificações de atentado contra a segurança do transporte aéreo, lesão corporal e captura de procurado. As autoridades trabalham para determinar a origem, o destino do voo e a real extensão da logística do grupo na região.

 

 

(Fontes CNN e Metropoles)