Felizmente a tragédia ocorrida nesta madrugada em Iaras (SP) envolvendo a queda de um helicóptero não teve vítimas fatais. Em resenha, os bombeiros relataram que foram acionados por volta das 00h45; o chamado de emergência foi realizado por um dos ocupantes do helicóptero de prefixo PT-YBL, denominado “AGHATA”, informando que a aeronave havia caído em uma área de mata no município de Iaras.

Segundo as informações iniciais, havia três pessoas a bordo, todas conscientes, mas com ferimentos causados pelo impacto. Como perderam os celulares durante a queda, os ocupantes conseguiram fazer o contato utilizando um tablet com a bateria quase no fim, por onde forneceram as coordenadas aproximadas do local do acidente.

A aeronave havia decolado do Helicentro de Guararema, que posteriormente confirmou a partida. Paralelamente às buscas, a ocorrência ganhou um novo desdobramento com a informação divulgada pela CNN agora a pouco de que o helicóptero não possuía autorização para voar, dado que passa a integrar as apurações das autoridades regulatórias.

Certificado da aeronave estaria vencido

De acordo com matéria da CNN, na consulta do RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro) consta que o helicóptero está com o CA (certificado de aeronavegabilidade) cancelado. O registro venceu em maio de 2019 e, portanto, a aeronave não poderia estar operando.

Segundo o CBAer (Código Brasileiro de Aeronáutica), os veículos aéreos só podem voar se tiverem o CA ativo. Em nota, a FAB (Força Aérea Brasileira), por meio do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) informou que está investigando o caso. O órgão afirmou também que já enviou investigadores até o local para verificar os danos causados à aeronave. As circunstâncias da queda também serão apuradas.

O modelo do helicóptero é um Augusta A109C que varia entre R$3,5 milhões à R$35 milhões em sites de venda.

Buscas na madrugada e sinal precário

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar iniciaram os deslocamentos e as buscas ainda durante a madrugada. A área apresentava extrema dificuldade de acesso, composta por mata fechada, estradas de terra e trechos prejudicados pelas condições do terreno e do clima.

Havia também grave limitação de comunicação devido à falta de cobertura de telefonia na região. Em determinados momentos, as equipes precisavam percorrer vários quilômetros por estrada de terra apenas para conseguir sinal e transmitir atualizações do resgate.

Por volta das 06h00, policiais militares da Força Tática localizaram a aeronave e os três ocupantes. A localização ocorreu durante as varreduras na mata, após um dos policiais ouvir os gritos de socorro de uma das vítimas, permitindo identificar o ponto exato da queda.

Complexidade na retirada das vítimas

Para permitir a retirada dos feridos — todos encontrados conscientes e orientados —, as equipes precisaram abrir um caminho na vegetação. Devido às condições do terreno e ao transporte cuidadoso em macas, a retirada de cada vítima do ponto da queda até a estrada demandava cerca de uma hora de deslocamento.

A sequência de socorro respeitou a gravidade dos quadros clínicos:

  • Comandante/Piloto: Era a vítima em estado mais grave. Estava consciente e comunicativo, porém apresentava ferimentos nos membros inferiores, na região da bacia e fortes dores na coluna. Foi o primeiro a ser retirado da mata, por volta das 10h30.
  • Copiloto: Estava consciente, com dores na coluna e suspeita de fraturas nos membros inferiores. Foi a segunda vítima retirada.
  • Passageiro: Encontrava-se consciente e permanecia no interior da carcaça da aeronave, de onde precisou ser extraído pelos socorristas. Foi o terceiro a ser retirado, com o atendimento concluído por volta das 12h30.

Operação aérea e encaminhamento médico

Devido às condições do local, não foi possível realizar a içagem direta das vítimas por helicóptero no ponto exato da queda. Embora uma área próxima tenha sido preparada para tentar a aproximação, a avaliação técnica definiu que a alternativa mais segura seria o transporte terrestre pela mata até a estrada de terra.

O helicóptero Águia, da Polícia Militar, atuou no apoio logístico após a localização. Assim que as equipes terrestres levaram os feridos até a estrada, a aeronave Águia fez o transporte das vítimas por cerca de 20 quilômetros até o ponto onde as ambulâncias de resgate aguardavam. De lá, os três ocupantes foram encaminhados ao Pronto-Socorro de Avaré.

Após a conclusão do resgate, o policiamento permaneceu no local para a preservação da área. A Polícia Civil também se deslocou para a região para adotar as providências judiciárias, enquanto os órgãos responsáveis pela investigação e análise de acidentes aeronáuticos foram notificados para averiguar as causas da queda e a falta de autorização de voo da aeronave.

 

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