
Em um vídeo veiculado em suas redes sociais, Giovani Clauan Alves Daltio, presidente da EMAPA e vice-presidente do PL em Avaré, desmentiu o Portal in Foco e ameaçou processar a jornalista Cida Koch, por ter supostamente divulgado inverdades.
Com um tom intimidador, Daltio alega ter pedido exoneração da Polícia Militar de São Paulo e nega ter sido expulso da corporação. No entanto, a tentativa de construir uma narrativa de vitimização omite fatos judiciais incontestáveis, esconde condutas de assédio e perseguição político-ideológica promovidas por ele no município e ignora as denúncias que fundamentaram as reportagens deste veículo.
No vídeo, no entanto, ele não explica porque ou confirma se teria espalhado listas de boicotes à empresas de Avaré, motivo pelo qual foi citado em matéria anterior.
Ao contrário do que tenta fazer parecer ao público, Daltio não deixou a Polícia Militar por mera escolha de transição de carreira para a iniciativa privada. Conforme apontam sentenças e documentos judiciais da Justiça Militar do Estado de São Paulo — como a decisão proferida em 13 de maio de 2022 pelo juiz Dalton Abranches Safi —, o ex-policial só não teve a reforma expedida com o carimbo oficial de expulsão porque antecipou-se ao desfecho do processo administrativo disciplinar e protocolou seu pedido de exoneração.

Para colocar luz definitiva sobre o histórico do atual dirigente político, o ex-candidato a deputado estadual pelo PT, Silvano Porto, requereu oficialmente junto aos tribunais militares as cópias e certidões das sentenças comprobatórias.
Entretanto, o acervo documental do in Foco demonstra que os processos correcionais contra Daltio apuravam atos desonrosos e condutas incompatíveis com o decoro da farda — incluindo a condenação criminal militar por degradação e dano a veículo particular durante o atendimento de uma ocorrência de perturbação do sossego no Parque Bristol, na capital paulista (Processo nº 0002875-38.2020.9.26.0030). A exoneração foi o recurso administrativo utilizado para evitar o desligamento compulsório por demissão a bem do serviço público, fato citado nos documentos processuais.

Silêncio sobre o retalhamento ideológico
O motivo central da matéria investigativa publicada pelo in Foco foi sumariamente ignorado por Daltio em seu pronunciamento. No vídeo, ele não dá qualquer explicação sobre a divulgação e o impulsionamento de uma “lista de boicote” com mais de 60 empresários, comerciantes e profissionais liberais de Avaré rotulados por ele como “petistas”.
A manobra, espalhada em grupos de mensagens instantâneas sob a ordem “Seguem as listas dos comerciantes petistas. Vamos boicotar!”, visava sufocar financeiramente geradores de emprego e renda locais por mero patrulhamento político. A conduta gerou forte repúdio na Câmara Municipal e no meio empresarial. Incapaz de justificar a tentativa de chantagem econômica contra a própria população de Avaré, o político preferiu atacar a imprensa.
O histórico de abusos e uso da máquina pública, contudo, não é novidade. Durante o primeiro turno eleitoral, Daltio já havia sido alvo de graves denúncias por utilizar a estrutura pública do parque da EMAPA — espaço sob sua então gestão — para realizar comemorações e atos de cunho político-partidário.
Perseguição e ataques chulos à família
A ameaça de processo e as investidas contra a jornalista Cida Koch configuram uma clara tática de intimidação e perseguição promovida por figuras ligadas à atual aliança governista local contra o jornalismo livre. Esta não é a primeira vez que Daltio investe contra a honra desta profissional.
Em episódios anteriores, o ex-policial já havia sido denunciado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e no 1º Distrito Policial de Avaré por ataques morais e violência psicológica praticados em grupos com centenas de integrantes. Na escalada do assédio, Daltio chegou a ultrapassar todos os limites do respeito humano e da ética ao expor indevidamente a condição de T21 de seu neto (infelizmente falecido), utilizando uma tragédia familiar dolorosa como ferramenta de achaque e agressão moral. O inquérito só foi arquivado porque a jornalista não encontrou advogado para representá-la.
A tentativa de transformar atos de violência psicológica e covardia em mero “exercício da liberdade” esbarra na realidade dos autos e na indignação da sociedade avareense. O Jornal in Foco reafirma seu compromisso intransigente com a verdade, ancorado em documentos, decisões judiciais e no dever profissional de denunciar qualquer forma de abuso de poder, intimidação ou cerceamento da liberdade de imprensa.
O in Foco coloca-se a disposição para publicar documentos de Daltio que comprovem seus argumentos, até porque o jornalismo sério não tem como objetivo atacar ninguém, mas trazer luz a verdade, seja qual for.

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