A primeira quinzena de setembro registrou um expressivo volume de ocorrências ligadas à violência doméstica, descumprimento de medidas protetivas e agressões físicas em Avaré. Os casos, apurados pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e pelo Plantão Policial, revelam um cenário preocupante de ameaças, invasão de propriedades e violência física em diversos bairros do município.

Prisão em flagrante e descumprimento de medidas protetivas

Entre os registros mais graves está a prisão em flagrante de um homem de 30 anos na madrugada do dia 13 de setembro, no Jardim Vera Cruz. O suspeito invadiu a casa da ex-companheira, de 22 anos, e fez ameaças de morte contra ela e sua mãe. A Polícia Civil constatou que o homem já havia sido intimado formalmente e sabia da ordem judicial de distanciamento. Acionada, a Polícia Militar realizou a prisão quando o indivíduo retornou ao imóvel durante o atendimento da ocorrência. A prisão foi ratificada pela autoridade policial.

Outro caso de desrespeito à determinação judicial ocorreu no dia 7 de setembro, na Vila Timóteo. Um homem de 29 anos descumpriu a medida protetiva, foi até a residência da ex-mulher, de 28 anos, e, após uma discussão motivada por ciúmes de ligações telefônicas, tomou o celular da vítima e o danificou. A mulher também relatou ser alvo de insistentes mensagens e ligações não autorizadas, sendo orientada a entregar o histórico de comunicações à DDM.

Agressões severas e violência doméstica

Episódios de extrema violência física também mobilizaram as forças policiais no período. No Parque Industrial Jurumirim, uma jovem de 20 anos denunciou o ex-companheiro, de 34 anos, por fatos ocorridos em 8 de setembro. Segundo o registro, após um desentendimento, o homem aplicou um golpe de “mata-leão” e tentou sufocar a vítima com as mãos e com uma coberta, além de proferir ameaças de morte. A vítima apresentou marcas de hematomas e solicitou medidas protetivas de urgência.

No Parque Santa Elizabeth IV, uma mulher de 53 anos procurou a polícia no dia 3 de setembro para denunciar agressões do companheiro, de 52 anos, com quem convivia há cerca de dez anos. A vítima relatou ser constantemente humilhada e afirmou ter sido agredida com chutes nos braços, pernas e golpes na cabeça. Sem local para onde ir, a mulher precisou retornar à casa após o episódio, mas posteriormente procurou a delegacia, autorizou o registro fotográfico das lesões e recebeu guia para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

Invasão de domicílio no Jardim Europa II

No Jardim Europa II, um homem de 44 anos passou a ser investigado por violação de domicílio após pular o muro de uma residência na noite de 3 de setembro. No momento da invasão, a moradora, de 46 anos, estava no trabalho, e no imóvel encontravam-se apenas o ex-marido e a filha dela, de 11 anos. Ao ser surpreendido no local, o homem justificou a entrada alegando que procurava por um gato. A proprietária procurou a polícia dois dias após o fato e manifestou receio por sua segurança e a da filha.

Agressão no ambiente de trabalho

A violência contra a mulher também se manifestou no ambiente profissional. No dia 11 de setembro, em um estabelecimento comercial no Centro de Avaré, uma funcionária de 27 anos foi agredida por um colega de trabalho, de 55 anos. O desentendimento começou por questões profissionais e escalou para ofensas verbais, até que o homem avançou contra a vítima e a segurou pelo pescoço. A agressão foi contida por outros funcionários do local. Após o episódio, o agressor pediu demissão e deixou o estabelecimento.

Violência motivada por transfobia

A Polícia Civil apura ainda uma denúncia de lesão corporal motivada por transfobia no Jardim Vera Cruz. Uma mulher trans, de 24 anos, relatou que foi à um estabelecimento comercial no final de agosto acompanhada de amigos quando passou a ser vítima de comentários ofensivos sobre sua identidade de gênero. O episódio evoluiu para agressão física, fazendo com que a vítima precisasse buscar atendimento médico no dia seguinte. A jovem informou também que vem recebendo ligações de importunação por parte do agressor em seu telefone e local de trabalho. O caso foi encaminhado para exames no IML e segue sob investigação.

Os casos registrados na primeira quinzena de setembro seguem sob apuração da Polícia Civil de Avaré. Vítimas de violência doméstica ou agressões podem procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 em emergências.