A família reunida no Aeroporto para realizar um sonho

O Dia dos Pais de 2025 foi inesquecível para Sebastião Carlos Rodrigues, de 67 anos. Em um presente emocionante de seus filhos, Juliana e Lucas, ele realizou um sonho que o acompanhou por toda a vida: voar de avião pela primeira vez. A bordo, ele pôde compartilhar esse momento com o neto Renan e a nora Raisa.

O fato acabou gerando comoção de muitos avareenses que viram a felicidade de Sebastião ao realizar seu sonho, aproveitando o Passeio Aéreo, promovido no último final de semana pelo Aerolanche, sediada no Aeroporto Avaré-Arandu.

A história de Carlos começa no Distrito de Nogueira, município de Avaí, que atualmente conta com aproximadamente 4.519 habitantes, de acordo com a estimativa do IBGE para 2024 e onde a vida rural moldou sua infância. Filho de trabalhadores do campo Maria Aparecida e Waldomiro, sua jornada foi marcada pelo trabalho árduo. Aos 9 anos, já ajudava o pai na lida, acordando de madrugada para ordenhar vacas antes de ir para a escola a cavalo. Com pais que priorizavam o trabalho em detrimento dos estudos, Carlos precisava estudar debaixo das árvores e aproveitar qualquer oportunidade para aprender.

“Começou a estudar, mas o pai era rigoroso, dava-lhe as tarefas pesadas da roça, e o filho precisava estudar embaixo das árvores após o almoço, que era às 9h da manhã; e no café da tarde, às 13 horas. O trabalho só era encerrado às 17 horas”, conta a filha, a advogada Juliana Clemente.

“No terceiro ano de grupo escolar, de segunda a sexta-feira, levava as professoras na Rodovia Marechal Rondon de charrete para tomar o ônibus da Reunidas de ida para Bauru, aonde as mesmas residiam. As professoras Cecília e Yolanda viajavam de Bauru à Estação de Nogueira de trem da NOB, com horário de chegada às 7 horas da manhã, ministrando aulas naquele Distrito até às 11h30, sendo percorrido um trajeto de 8 km até a Rodovia em estrada de terra”, relata.

Apesar das dificuldades, a ambição de Carlos ia além da vida no campo. Ele observava de longe as pessoas em escritórios e sonhava com uma vida diferente. Aos 13 anos, com o dinheiro de um trabalho de capina de café, ele comprou sua primeira bicicleta usada — um bem precioso, pois nunca tivera um brinquedo.

Durante toda a sua vida, a fascinação pelos aviões foi uma constante. Enquanto trabalhava na roça, ele olhava para o céu e imaginava como seria a sensação de voar. Aos 19 anos, Carlos realizou seu segundo grande sonho: passou em um concurso para secretário de escola estadual, um cargo que ocupou até a sua aposentadoria. Com o primeiro salário, comprou seu primeiro carro, um Fusca usado. Casou-se com Jussara, com quem teve três filhos: Vivian, Juliana e Lucas. A esposa faleceu em 2015, e no ano de 2016, mudou-se para Avaré, pois Juliana já residia aqui desde março de 2011.

Depois de se mudar para Avaré em 2016 para ficar mais perto de sua filha Juliana, a vida de Carlos passou por um momento de grande apreensão em 2023, quando ele precisou ser submetido a uma delicada cirurgia de ponte de safena. A família temeu o pior, mas ele se recuperou, demonstrando a mesma resiliência de sempre.

Neste domingo, sobrevoando a cidade de Avaré e a imensidão da Represa de Jurumirim, Carlos sentiu o coração acelerar. Foi a concretização de um desejo que o acompanhou por quase sete décadas. A emoção no rosto de Carlos ao ver a cidade de cima, sentir uma pequena turbulência e a alegria pura de estar no céu provam que, não importa o tempo que passe, os sonhos não envelhecem.

A história de Carlos é um lembrete para todos nós: nunca é tarde para acreditar e realizar seus sonhos.

Sebastião com o neto Renan
Curtindo o voo do Dia dos Pais