Morreu no começo da noite desta quarta-feira, 20 de agosto, aos 94 anos, o comerciante aposentado avareense Ovídio Faria, o popular Vidico. De ascendência portuguesa, ele era neto do casal Thereza e Albertino Faria, família radicada em Avaré no ano de 1912, que primeiramente trabalhou em lavouras de café.

Na infância, Vidico morou na Rua Mato Grosso, em frente da antiga igreja de São Benedito, onde seus pais, dona Carmen e José Faria tiveram um açougue. Mais tarde, nos anos 1950, com seus irmãos Manoel (Nello) e Altino (Zinho), ele comprovou o tino comercial vertente no seu sangue.

Ex-aluno do Externato São José, em sociedade com os irmãos ele comprou o Avaré Bar, do libanês Hani Ward, que funcionava no mesmo prédio do antigo Avaré Hotel, na esquina do Largo São João. Ali funcionou, por quase duas décadas, o bar dos três irmãos, conhecido por oferecer doces finos e bebidas importadas.

O estabelecimento nunca fechava. Frequentado por gente de todas as classes, até um presidente da República e uma modelo internacional passaram por lá: Juscelino Kubitschek, na campanha política de 1955, bem como a bela amazonense Tereza Gonçalves, a “Terezinha Morango”, eleita Miss Brasil em 1957.

Ajudado por suas irmãs, quando ainda nem existiam caminhões frigoríficos, Vidico conseguiu a proeza de transportar para Avaré os sorvetes da Kibon e assim primeiramente agradar a clientela.

Em 1972, na recepção ao presidente de Portugal, almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz, no Rio de Janeiro, Vidico representou a família Faria. Convidado pelo Conselho Superior da Colônia Portuguesa no Brasil e pela Federação das Associações Luso-Brasileiras, ele tomou parte do jantar em companhia dos empresários Manoel Rodrigues, Antonio Manoel Affonso e João de Freitas Alves.

Em fins dos anos 1970, Vidico e seus irmãos construíram um edifício de quatro andares na esquina da Rua Pernambuco com a Rua São Paulo, no centro comercial, onde parte da família residiu desde então.

Por muitos anos ele apoiou eventos como a Corrida de São Silvestre, além de ter sido dirigente do Fluminense Futebol Clube e ter doado o vitral frontal da Matriz de São Benedito.

Solteiro, Ovídio Faria mostrava-se sempre amigo atencioso e leal, bem como um tio atuante, querido e respeitado por seus tantos sobrinhos e sobrinhas.

(Texto Gesiel Junior)