
No próximo dia 18 de setembro, a jovem avareense Bruna Augusta de Freitas, comemora seu segundo aniversário: é a celebração de seu renascimento, depois de quase ter morrido por uma negligência médica – mais um caso que veio à tona e ainda não apurado pelas autoridades.
Na época dos fatos, Bruna tinha 25 anos e ao in Foco, ela fez um relato comovente e, ao mesmo tempo, um alerta sobre a fragilidade da vida e a importância da empatia no sistema de saúde.
O que começou com um simples desconforto na barriga em 1º de setembro de 2024, rapidamente se transformou em uma corrida contra a morte, onde a jovem viu sua vida por um fio e precisou lutar para sobreviver.
“Eu sentia queimação e não estava conseguindo comer direito”, recorda Bruna. No dia 8, a dor se intensificou, descrita por ela como “estranha, nunca tinha sentido igual”. Seu abdômen inchou a ponto de parecer uma gravidez de nove meses. A partir daí, iniciou-se uma verdadeira peregrinação ao pronto socorro municipal. Por duas semanas, ela foi e voltou diversas vezes, buscando alívio para um mal que se aprofundava a cada dia.
Os exames iniciais no pronto-socorro mostraram uma infecção no sangue alarmante. O exame de sangue revelou que Bruna já estava com sepse avançada ( reação inflamatória desregulada e grave do corpo a uma infeção por vírus, bactéria, fungo, etc, que pode levar ao mau funcionamento e falência de órgãos, evoluindo para condições com risco de vida, como o choque séptico, uma infecção generalizada, mas o diagnóstico não foi feito.
Um raio-X revelou fezes endurecidas, e um médico, confiando na sua avaliação, descartou a gravidade do quadro. “Ele me falou que era normal, que minhas fezes estavam endurecidas”, conta Bruna, que nunca teve problemas intestinais. A indicação foi fazer uma lavagem intestinal, o que se revelou um erro fatal.
“Na época, era o Dr Jackson – que todos falam bem dele. Ele me falou que era normal, que minhas fezes estavam endurecidas, e provavelmente desde bebê eu tinha problemas de intestino (nunca tive problemas de intestino). E me passou pra fazer lavagem. O que eles não “sabiam” e muito menos eu, é que meu intestino já estava necrosado, minha apêndice já tinha estourado… E nessa lavagem, minhas fezes subiram pro meu abdômen e estômago… E ali começou minha luta MESMO. Eu só vomitava e sentiu uma dor IMPOSSÍVEL DE DESCREVER, até porque eu estava podre por dentro e seria impossível eu não sentir nada”, conta emocionada. A medicação, a mesma que recebia todos os dias, já não fazia mais efeito.
“Eu ia todos os dias no pronto socorro e cada hora falavam que era uma coisa; porém o básico de uma apêndice eles nem tocaram no nome que poderia ser isso. Me passavam a mesma medicação. Todos os dias, até que não estava me fazendo mais efeito”, relembra.
A situação chegou ao limite na noite de 17 de setembro. Bruna mal conseguia andar e não conseguia se deitar. Um médico, assustado com seu estado, a encaminhou para uma tomografia urgente. O resultado fez com que ele chamasse seu pai para dar a notícia: “Ela está com uma mancha preta no abdômen todo dela”. A internação foi imediata.
Na Santa Casa, o cirurgião Gilberto Pereira de Mendonça, um “anjo” na vida de Bruna, foi sincero: “quase não consigo salvar você”. A cirurgia foi um sucesso, mas a luta pela vida continuava. Bruna perdeu todo o seu intestino grosso e parte do delgado, mas o médico conseguiu interligar o que restou ao estômago, evitando o uso de bolsa de colostomia.
“Deitei na maca e comecei a conversar com Deus. Meu pai me deu uma oração antiga de família. Na porta do centro cirúrgico meu pai me acompanhou, permitiram que ele me acompanhasse. E dei um beijo nele e ele começou a chorar e uma enfermeira também e eu falei a seguinte frase PAI NÃO CHORA, EU VOLTO, ATÉ DAQUI A POUCO… E lá fui eu… Fiz minha oração e me entreguei pra Deus… Que fosse feita a vontade dele…”, conta, lembrando o dia da cirurgia.
Foram seis longos dias na UTI, onde ela foi cuidada com dedicação. Bruna sentia as orações que faziam por ela. Durante o período de recuperação, ela precisou de transfusão de sangue e, mesmo fraca, decidiu lutar e começar a andar. “Eu tenho tanto orgulho da minha cicatriz que ficou”, diz, exibindo a foto com orgulho “porque é minha marca de renascimento”. Foram tirados um litro e meio de pus de seu abdômen.
No hoje, Bruna, já com 26 anos, vive uma vida normal e sem sequelas. A experiência, no entanto, deixou marcas profundas emocionais. “Hoje tenho uma vida normal. Emagreci 11 kgs depois da cirurgia… Mas eu lutei… Eu lutei muito. Tive muita fé, muitas orações…”.
A depressão se manifestou e a fez repensar sobre a busca por justiça contra a negligência. “Preferi cuidar de mim, da minha saúde… do que ir atrás de advogado”, explica. Seu relato, forte e doloroso, se tornou um testemunho de fé e superação. “Eu sinto Deus a todo momento comigo.”
Diante de tudo que enfrentou, Bruna, além do corajoso relato que só agora teve forças para fazer, também se mostra indignada com a falta de empatia do atendimento no PS. “Se no dia 9 meu exame de sangue mostrava uma infecção de 17 mil, quanto estava minha infecção no dia 18? Quando me internaram?! É de se questionar…Então me dói ver tantas pessoas partindo por negligência médica. Eu fui uma dessas pessoas… Mas sobrevivi… Tive uma segunda chance. Já as outras não”, finaliza.






































