
A trágica morte da jovem Maria Clara da Paz, de apenas 17 anos, em Avaré no dia 27 de agosto, tem sido o centro de uma intensa e dolorosa discussão com relação ao atendimento na saúde pública. O caso, que ganhou forte repercussão nas redes sociais e na imprensa local, expôs as falhas do sistema de saúde da cidade e, principalmente, a angústia de uma família em busca de respostas.
O caso da jovem ficou conhecido como possível descaso e negligência médica após ela ter buscado atendimento várias vezes e ter sido liberada.
Agora, surge outro problema: o pronto-socorro não liberou o prontuário da paciente para a família, embora seja um direito previsto em lei e possivelmente, a questão será judicializada. Ao in Foco a família confirmou a informação, mas ainda abalada, não quer falar sobre o caso.
Em um recente depoimento comovente, os pais de Maria Clara falaram sobre a perda da filha, relataram o que chamaram de negligência e lamentaram o descaso em todas as vezes que buscaram atendimento.
A mãe, Juliana Martins, descreveu o desespero de ver a filha chorando de dor, com os pés inchados, e implorar pela internação, que foi negada.
O clínico geral Renato Dornela Vieira, que atuava no Pronto Socorro de Avaré e foi o último a atender a jovem, afirmou ter sido o único a pedir exames. Segundo o médico, ele atendeu a jovem pela manhã, que apresentava um histórico de três meses de cefaleia e náuseas. Ele diz ter solicitado uma tomografia de crânio e a avaliação de uma neurologista.
O médico disse que enviou a imagem da tomografia por WhatsApp para a neurologista Dra. Thaís, que, segundo ele, se recusou a ir ao hospital, alegando que a tomografia estava normal e se tratava de uma “simples dor de cabeça”. Ele afirma que liberou a paciente em bom estado geral, após administrar medicação para dor e náuseas, e que a jovem voltou ao hospital à noite, em óbito.
Contudo, a mãe da vítima desmente o médico; “a Maria estava com dor de cabeça pressão alta e náuseas há dois meses. Ela não estava bem quando saiu do PS e estava na cadeira de roda; até a ambulância e deitou lá fora na maca”, contou, complementando: “ falei com o médico duas vezes questionando se ia liberar ela assim vomitando; ele disse que era efeito da medicação”.
O prontuário e o direito da família
A recusa do pronto-socorro em entregar o prontuário médico de Maria Clara é o ponto central de nova polêmica. A família precisa do documento para entender o que realmente aconteceu e buscar justiça. O prontuário é um direito do paciente e, em caso de óbito, de seus representantes legais, e a sua retenção viola o Código de Ética Médica e o Código de Defesa do Consumidor.
A falta de transparência por parte da unidade de saúde levanta sérias dúvidas sobre a qualidade do atendimento. Esse, infelizmente, não é o único caso em que o PS se nega a fornecer o prontuário à famílias de pacientes.
A matéria será enviada ao Ministério Público.




































