A 42ª edição da Feira Avareense da Música Popular (Fampop) marcou um momento de resgate histórico para o festival, com o retorno de um de seus fundadores, o produtor e músico Juca Novaes, à direção artística. O festival, um dos mais tradicionais e respeitados do país, ganhou novo fôlego e propósito com a experiência e a visão original de Juca, conhecido no meio artístico pelo talento e conexões com grandes nomes da MPB.

Em entrevista ao in Foco, Juca Novaes detalhou os sentimentos e os desafios de reassumir o comando artístico após quase uma década de afastamento, falando sobre seu entusiasmo com o novo ciclo, definindo-o como um resgate da essência que impulsionou o festival desde sua criação em 1983.

“Voltar a dirigir a Fampop, depois de nove anos distante, foi uma emoção, e um grande desafio. A música mudou, e a forma de fazer e divulgar música também. Avaré também mudou, e é um consenso entre músicos de todo o Brasil que o festival tinha perdido sua importância,” revelou Juca, expondo a dimensão da tarefa.

O produtor destacou que a recuperação do prestígio nacional da Fampop exige um esforço contínuo e planejado. “Por isso, buscar de novo o protagonismo e o prestígio da Fampop não é tarefa fácil. Quando o prefeito Roberto Araújo me propôs a retomada do evento, e quando comecei a trabalhar com a secretária Thais Francini, sabíamos que o processo de recuperação da importância (nacional) do festival não seria tarefa fácil. É um trabalho de anos, e não de apenas uma edição,” pontuou.

Para ele, o sucesso da 42ª edição era crucial para reconquistar a confiança da comunidade musical. “E era fundamental que o primeiro passo fosse bem-sucedido, para mostrar uma carta de certeza aos artistas e compositores que vêm de todo o Brasil para participar, bem como ao ‘público da Fampop’, que, pelo que senti, estava saudoso dos bons tempos do festival,” afirmou.

O sucesso da edição mais recente foi validado pela reação do público e dos participantes. O produtor ressaltou o “clima” especial que pairou sobre o evento, incluindo claro, os eventos paralelos promovidos durante o festival.

‘A Fampop está de volta’, esta foi a frase que mais ouvi durante os quatro dias de festival. E, realmente, acho que o ‘clima de Fampop’ estava no ar, não apenas na Concha Acústica, nos shows, nas apresentações, mas também nos eventos paralelos, lançamentos de discos e livros, e encontro de letristas,” reforçou.

Juca fez questão de elogiar a paixão da cidade pelo evento, diferenciando-a do entretenimento puramente comercial. “Avaré tem um público que gosta de cultura, e não apenas de entretenimento. É um público diferente, que vai não apenas para ver os shows, mas também para ouvir as músicas concorrentes. Sinto que demos um primeiro passo bem-sucedido para que reunir novamente esse público, e para que ele cresça ainda mais,” celebrou.

Apesar das dificuldades logísticas naturais em eventos dessa magnitude, o balanço final em sua visão é extremamente positivo. Para Juca, a frase que melhor resume este momento histórico é a confirmação do ressurgimento do festival.

“O ‘público da Fampop’ compareceu, e as avaliações que recebi foram muito positivas, com destaque para o excelente nível musical, e shows muito bem recebidos. Claro que tivemos dificuldades de vários gêneros naturais em todos os eventos desse tipo, mas foram superadas, e para mim a frase que melhor define essa 42ª Edição do festival é exatamente a de que ‘A Fampop voltou’”, finalizou.

 

Grandes referências culturais como o professor Pasquale Cipro Neto, a escritora Alice Ruiz e os compositores Carlos Rennó e Celso Viáfora. integraram o júrid este ano
Qualidade musical aumentou, segundo o público