Após a repercussão, o médico que seria homenageado amanhã (29) na Câmara Municipal não irá mais receber a comenda. A informação é da vereadora Adalgisa Ward (Podemos), que havia indicado um médico supostamente envolvido no caso da jovem Maria Clara da Paz que faleceu há cerca de dois meses após uma série de atendimentos no pronto-socorro de Avaré.

Nesta terça (28), a mãe da jovem, Juliana Paz postou sua indignação nas redes sociais: “como assim? Indignada! O médico que negou internação pra minha filha no domingo dia 24 vai receber medalha. Como assim? Quero uma explicação disso nobres vereadores de Avaré. Medalha do que? Indignada…”

Depois dessa postagem, a página oficial do Legislativo retirou a lista dos médicos homenageados.

A mãe contou que descobriu o nome do médico somente após pegar o prontuário da filha. “Ele disse que não iria internar por causa de simples hipertensão e cefaleia. Eu implorei pra ele internar”, disse ao in Foco na tarde de hoje (28) a mãe de Maria Clara. Apesar de a indicação ter sido feita pela vereadora Adalgisa Ward, Juliana afirma que ela foi a única a ir ao velório da filha.

Em entrevista ao in Foco, a vereadora afirmou já havia dito “jamais indicaria se soubesse do problema”, frisando que ficou extremamente chateada pela situação. Adalgisa foi a única vereadora citada pela mãe de Maria Clara, que compareceu ao velório e ofereceu ajuda.

 

Sobre a homenagem

A Câmara Municipal de Avaré aprovou recentemente a instituição da Medalha do Mérito Legislativo “São Lucas”, como forma de reconhecer médicos que são exemplos de excelência profissional e ética na medicina local, e ganham destaque por seus aportes à saúde da população avareense.

De autoria do vereador Luiz Cláudio da Costa (Podemos), o Decreto Legislativo determina que a honraria seja entregue no mês de outubro, por ocasião do Dia do Médico, que foi celebrado no dia 18.

Deverão receber a Medalha de “São Lucas” os médicos que prestaram ou prestam relevantes serviços à comunidade avareense, com no mínimo 15 anos de atuação na rede pública ou privada.

 

Relembre o caso

Maria Clara faleceu em agosto depois de uma série de idas e vindas ao Pronto-socorro local por supostamente negligência. O caso ganhou enorme repercussão e comoção.

Na época, o clínico geral Renato Dornela Vieira, deu entrevista ao in Foco, após ter sido demitido do PS. Ele foi o último a atender a jovem e disse ter sido o único a pedir exames. Segundo o médico, ele atendeu a jovem pela manhã, que apresentava um histórico de três meses de cefaleia e náuseas. Ele disse ter solicitado uma tomografia de crânio e a avaliação de uma neurologista.

Ele ainda contou que enviou a imagem da tomografia por WhatsApp para a neurologista Dra. Thaís, que, de acordo com relato dele, se recusou a ir ao hospital, alegando que a tomografia estava normal e se tratava de uma “simples dor de cabeça”. Ele afirma que liberou a paciente em bom estado geral, após administrar medicação para dor e náuseas, e que a jovem voltou ao hospital à noite, em óbito – o que foi totalmente contestado pela família.

“A Maria estava com dor de cabeça pressão alta e náuseas há dois meses. Ela não estava bem quando saiu do PS e estava na cadeira de roda; até a ambulância e deitou lá fora na maca”, disse a mãe da vítima ao in Foco,  “ falei com o médico duas vezes questionando se ia liberar ela assim vomitando; ele disse que era efeito da medicação”.

A reportagem continua a disposição dos envolvidos.