O que deveria ser uma sessão ordinária para discussão de pautas municipais transformou-se em um triste cenário de confronto físico e denúncias de abuso de autoridade na Câmara Municipal de Avaré.

Foi o que aconteceu na sessão do dia 1º de dezembro de 2025, quando o munícipe Vinicius Berna foi retirado à força do plenário, pelo próprio presidente da Câmara, Samuel Paes. Berna protestava sozinho contra a votação do aumento dos salários dos vereadores para a próxima gestão, além de férias remuneradas e 13º salário.

As imagens viralizaram em todo o país tornando Avaré “famosa” em toda mídia e causaram indignação da população, que pediu logo em seguida, a cassação do vereador por quebra de decoro apontada por diversos especialistas em direito (veja mais detalhes abaixo).

Em depoimento prestado ao delegado Rubens Cesar Garcia Jorge, da Seccional de Avaré, o uber de 34 anos, detalhou como foi retirado à força do plenário no dia 1º de dezembro de 2025, após protestar contra o projeto de aumento de subsídios, 13º salário e férias para os vereadores. O depoimento faz parte da investigação aberta após pedido do legislativo.

Segundo Berna, sua indignação começou ao ser informado pela jornalista Cida Koch, do in Foco, de que o projeto de aumento salarial seria votado sem ter sido previamente anunciado na pauta oficial. O munícipe utilizou suas redes sociais para convocar a população e compareceu à sessão com o intuito de “demover os vereadores da ideia”, já que não houve debate público sobre o tema.

O clima pesou quando a vereadora Ana Paula citou uma postagem de Berna durante sua fala. Ao tentar se defender de acusações de corrupção que a parlamentar estaria lhe atribuindo, iniciou-se um bate-boca. Embora o presidente da Casa, Samuel Paes, tenha contido o início da discussão, o conflito escalou durante a sessão extraordinária subsequente.

De acordo com o depoimento, a violência começou após Berna gritar frases como “respeite a população, o povo ganha R$ 1.500,00 por mês e vocês querendo reajuste” – momento em que Paes ordenou que o munícipe fosse retirado.

Vinícius relata que, apesar de pedir para não ser tocado e levantar as mãos, foi empurrado por um agente operacional e, em seguida, contido por diversas pessoas, como mostram e registram as imagens que viralizaram.

“O declarante foi agarrado pelo policial Cromeck e recebeu uma ‘chave de pescoço’. Por fim, apareceu o presidente Paes, que segurou suas pernas e o levaram para fora, onde foi deixado”, cita no depoimento. Berna afirma ainda que, ao ser colocado para fora, o presidente da Câmara teria dito: “Aqui quem manda sou eu” – o que também foi registrado nas imagens.

Lesões e Representação no Ministério Público

O motorista, que teve arranhões nos braços e na testa, passou por exame de corpo de delito e negou no depoimento, ter agredido qualquer funcionário ou parlamentar, alegando que apenas tentou se desvencilhar ao se sentir encurralado – argumento que pode ser visto nas imagens.

Berna também frisou que não se evadiu da Câmara Municipal para fugir dos policiais militares; na verdade ele foi direto ao plantão policial registrar boletim de ocorrência. No depoimento, ele também afirma que não teve a intenção em desobedecer a ordem do presidente da Câmara Municipal, para não intervir durante a palavra dos vereadores, somente agiu com o fim de defender a população e que o próprio presidente da Câmara descumpriu a legislação ao não anunciar a pauta com antecedência para que os munícipes soubessem do projeto de aumento de subsídio dos vereadores.

Como desdobramento, Berna informou à autoridade policial que já representou ao Ministério Público para que a conduta da direção da Câmara Municipal seja apurada, questionando inclusive a legalidade da tramitação do projeto de aumento de subsídios sem aviso prévio à população.

No depoimento, o munícipe mencionou que o próprio vereador Samuel Paes, em entrevista posterior a um podcast local, teria admitido que não houve agressão por parte de Vinícius Berna durante o episódio. A entrevista está no YouTube.

Vale lembrar que após o episódio, a munícipe Julianne Oliveira apresentou pedido de cassação de Paes, que até o momento não foi votado; outro cidadão, Iago Lima, também fez uma petição online que teve quase 2,5 mil assinaturas pedindo a cassação.

AUMENTOS

Para relembrar, na sessão extraordinária realizada no dia 1º de dezembro de 2025, o Projeto de Resolução nº 15/2025 foi aprovado por 8 votos a favor e 4 votos contra.

Este projeto aprovou o reajuste dos subsídios (salários), além da instituição de 13º salário e férias remuneradas para os vereadores de Avaré (com efeitos para a legislatura que se inicia em 2029).

Vereadores que votaram A FAVOR do aumento:

Nome do Vereador

Partido

Ana Paula Tibúrcio de Godoy

Republicanos

Everton Eduardo Machado

PL

Francisco Barreto de Monte Neto

PT

Hidalgo André de Freitas

PSD

Jairo Alves de Azevedo (Jairinho)

Republicanos

Leonardo Pires Ripoli (Léo Ripoli)

Podemos

Moacir Lima

PSD

Pedro Fusco

PL


Observações importantes:

  • Votos Contra: Os vereadores que se posicionaram contra o projeto foram: Adalgisa Lopes Ward (Podemos), Luiz Cláudio da Costa (Podemos), Magno Greguer (Republicanos) e Maria Isabel Dadário (Podemos).

  • Presidente: O vereador Samuel Paes (PSD), como presidente da Câmara, não votou, pois seu voto só é solicitado em caso de empate. No entanto, ele foi o autor da ordem de retirada do munícipe Vinícius Berna do plenário durante a confusão.

  • Os Novos Valores: O subsídio mensal passará de R$ 6.600,00 para R$ 11.854,00 em 2029. O salário do presidente da Câmara subirá para R$ 13.620,00.