
O balanço das forças de segurança de Avaré referente ao exercício de 2025 traz à tona um dado sombrio que exige atenção imediata das autoridades e da sociedade civil: a proteção de crianças e pessoas vulneráveis está em xeque. Diferente de outras modalidades criminosas que apresentam variações, o estupro de vulnerável consolidou-se como uma das violências mais persistentes e volumosas no município.
Os dados da Polícia Militar de Avaré revelam um cenário de estabilidade em níveis altos para o crime de estupro de vulnerável. Enquanto o estupro “comum” registrou uma queda drástica (e suspeita) em 2024, os ataques a vulneráveis não deram trégua.
| Ano | Estupro de Vulnerável | Estupro (Comum) |
| 2023 | 42 casos | 18 casos |
| 2024 | 53 casos | 03 casos |
| 2025 | 44 casos | 22 casos |
A análise dos números mostra que, em 2024, os casos contra vulneráveis foram quase 18 vezes maiores que os registros de estupro comum. Mesmo com a normalização dos dados em 2025, o estupro de vulnerável continua representando a vasta maioria das agressões sexuais na cidade, com 44 ocorrências registradas no último ano.
Especialistas em segurança pública acenderam o sinal de alerta para o que chamam de “anomalia estatística”. A queda de 18 para apenas 3 casos de estupro comum em 2024, enquanto o estupro de vulnerável saltava para 53, sugere falhas de processamento nos sistemas ou uma subnotificação severa.
Entretanto, o fato de o crime contra vulneráveis ter se mantido alto durante todo o período prova que essa modalidade de violência possui raízes profundas e uma “imunidade” às variações de registro, ocorrendo majoritariamente no ambiente doméstico ou por pessoas próximas à vítima.
O Contexto da Violência de Gênero
A situação das crianças e vulneráveis em Avaré não está isolada. Ela é o topo de uma pirâmide de violência contra a mulher que começa com a ameaça (214 casos) e a lesão corporal (187 casos). A dificuldade do poder público é nítida: em 2025, houve 41 descumprimentos de Medidas Protetivas, evidenciando que o agressor, muitas vezes, não recua nem diante de ordens judiciais.
De acordo com levantamento feito pela DDM (Delegacia de Defesa da mulher) local, em 2025 foram registrados um Feminicídio Consumado (da enfermeira Márcia) e uma tentativa de Feminicídio. A morte de uma mulher após uma briga de trânsito não entre nas estatísticas.
O cenário local acabou – felizmente – não refletindo em números o panorama nacional. Em 2025, o Brasil atingiu o recorde histórico de 1.470 feminicídios, um salto de 316% desde a criação da lei em 2015. Em média, quatro mulheres são assassinadas por dia no país. Em Avaré, o registro de um feminicídio consumado e uma tentativa em 2025 mantém a cidade inserida nesta triste estatística nacional.
Como Denunciar
A proteção de crianças e adolescentes é dever de todos. Se você suspeita de qualquer caso de abuso ou violência em Avaré, utilize os canais:
- Disque 100: Direitos Humanos (Nacional).
- Conselho Tutelar de Avaré: Para casos envolvendo menores.
- 190: Polícia Militar (Emergências).
- Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Avaré.




































