
A 1ª Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores de Avaré em 2026, marcada para o dia 2 de fevereiro, marca o fim do recesso parlamentar sob um clima de forte expectativa e controvérsia política.
Embora a pauta oficial foque em projetos de acessibilidade e reestruturações administrativas, o que mais chama a atenção é a ausência de um item que a população e a imprensa regional aguardavam: o pedido de formação de uma Comissão Processante solicitando a cassação do presidente da Casa, Samuel Paes (PSD) por suposta quebra de decoro parlamentar.
O documento divulgado pela secretaria da Câmara detalha que a Ordem do Dia será dedicada a três projetos principais: a difusão do alfabeto de Libras (PL 237/2025), a implementação de QR Codes em placas de obras (PL 238/2025) e a reestruturação do Departamento de Saúde do Servidor (PL 301/2025).
Estranhamente, o pedido de abertura de Comissão Processante (CP) contra o presidente Samuel Paes não foi incluído, apesar de informações veiculadas pelo site Jornal In Foco indicarem que o trâmite seria “obrigatório” para a primeira sessão do ano, conforme regimento interno.
Segundo o Decreto 201/67, denúncias de quebra de decoro devem ser lidas e votadas na primeira sessão após o protocolo, mas o Legislativo avareense parece ter optado por ignorar a urgência reivindicada pela autora do pedido, a munícipe Julianne Oliveira.
Relembre o Caso: “Aqui quem manda sou eu”
A crise que envolve a presidência da Câmara de Avaré explodiu em 1º de dezembro de 2025, durante uma sessão tumultuada que aprovou um reajuste de quase 80% nos subsídios dos vereadores (elevando o salário de R$ 6,6 mil para R$ 11,8 mil a partir de 2029), além de férias remuneradas e 13º salário.
Como já divulgado pelo Portal in Foco, o caso ganhou repercussão nacional após vídeos mostrarem o munícipe Vinícius Berna sendo retirado à força do plenário por quatro pessoas, incluindo o próprio Samuel Paes, além do diretor legislativo Adriel Fernandes, do assessor Fernando Silva (ambos comissionados), do servidor Rodrigo Zamonelli e de um suposto amigo de Paes. Nas cenas que indignaram a população, Berna aparece sendo segurado pelas pernas e braços e ouvindo do presidente a frase: “Aqui quem manda sou eu”.
O in Foco também destacou que, no final de 2025, houve indícios de manobras para evitar a votação da cassação ainda no ano passado. Chegou-se a convocar o suplente de Paes (conhecido como “Tu Véio”) para uma sessão extraordinária, confirmando que o pedido de CP estava pronto para ser apreciado, mas o departamento jurídico da Casa alegou falta de “urgência”, empurrando a decisão para fevereiro de 2026. O próprio suplente confirmou a convocação à reportagem do in Foco.
Enquanto a pauta oficial silencia sobre o tema, a pressão popular continua; uma petição online organizada pelo munícipe Iago Lima já colheu milhares de assinaturas pedindo o afastamento do presidente.
Além do pedido da munícipe Julianne Oliveira, o próprio Vinicius Berna apresentou representação contra abuso de autoridade de Paes no MP local, mas até o momento não teve resposta Caso de fato, o pedido não seja lido em plenário e votado, a autora pode registrar um boletim de ocorrência por descumprimento do regimento.
A sessão de segunda-feira, às 19h, promete ser acompanhada de perto pela população. Resta saber se algum parlamentar solicitará a inclusão do pedido de cassação em regime de urgência ou se o “silêncio da pauta” será o tom do início deste ano legislativo em Avaré.




































