
A cidade de Avaré tem enfrentado um início de ano marcado por uma sequência preocupante de registros de violência, especialmente na primeira metade do mês de fevereiro de 2026.
Dados extraídos de diversos Boletins de Ocorrência revelam um cenário onde a vulnerabilidade de mulheres, crianças e idosos se manifesta tanto no ambiente doméstico quanto em espaços públicos, exigindo uma atuação constante da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e das forças de segurança locais.
O mês começou com um episódio alarmante no bairro Jardim Paraíso, onde a Polícia Civil registrou um caso de importunação sexual ocorrido no dia 1º de fevereiro. O crime, praticado dentro de uma residência por um homem de 41 anos, teve como vítima uma adolescente de apenas 12 anos. O trauma sofrido pela jovem foi tamanho que ela só conseguiu relatar os gestos obscenos e o comportamento invasivo no dia seguinte, motivada pelo medo imediato que a situação lhe causou. Diante da gravidade, a responsável legal pela menor não hesitou em solicitar medidas protetivas de urgência, buscando o afastamento imediato do investigado do convívio familiar para garantir a integridade física e psicológica da adolescente.
Quase simultaneamente, na madrugada daquele mesmo domingo, outra face da violência de gênero se manifestou no bairro Alto da Colina II. Uma mulher de 44 anos tornou-se alvo de uma campanha de intimidação iniciada por seu ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento. O agressor passou a utilizar meios digitais, enviando áudios e mensagens ameaçadoras não apenas para a vítima, mas também para seus familiares, criando um cerco psicológico que levou a mulher a buscar socorro policial. O registro como ameaça no contexto de violência doméstica reforça a necessidade de monitoramento desses casos que, muitas vezes, escalam de agressões verbais para ataques físicos.
Poucos dias depois, no dia 5 de fevereiro, a violência física se concretizou de forma explícita na Vila Timóteo. Um jovem de 20 anos foi preso em flagrante pela Polícia Militar após agredir sua companheira de 21 anos. A discussão doméstica terminou com a vítima apresentando lesões visíveis no pescoço e escoriações pelo corpo, marcas confirmadas por exame pericial. O fato de o agressor ter admitido parte das agressões no momento da abordagem facilitou a condução imediata à delegacia, mas sublinha a precocidade da violência em casais jovens.
A insegurança feminina em Avaré, contudo, extrapolou as paredes das residências. No dia 6 de fevereiro, a região central da cidade foi palco de um crime de importunação sexual em plena via pública. Uma mulher de 32 anos, enquanto aguardava em frente a um estabelecimento comercial, foi abordada por um desconhecido da mesma idade que tentou beijá-la à força e a segurou pela cintura. A resistência da vítima e sua fuga desesperada, mesmo sendo perseguida por alguns metros, evidenciam o risco cotidiano enfrentado pelas mulheres em seus deslocamentos urbanos.
No dia seguinte, 7 de fevereiro, o nível de brutalidade atingiu um patamar ainda mais grave na zona rural, especificamente na Rodovia SP-245. Uma ocorrência complexa envolveu agressão contra uma mulher de 28 anos, ameaças com arma branca contra outros familiares e ferimentos em uma criança de 9 anos. O desfecho foi drástico: após a intervenção policial, a residência da família foi incendiada, cumprindo uma ameaça prévia feita pelo autor de 26 anos. Esse caso, que uniu violência doméstica a incêndio criminoso, demonstra como o descontrole emocional e a posse de armas brancas podem destruir o patrimônio e a segurança de núcleos familiares inteiros em questão de horas.
Ainda no dia 7 de fevereiro, a violência atingiu a terceira idade no bairro Alto da Colina . Um idoso de 86 anos foi covardemente agredido dentro de sua casa com um objeto contundente. A agressão só foi interrompida graças à intervenção de um vizinho, evidenciando a importância da rede de apoio comunitária. Além das marcas físicas, a investigação revelou um pano de fundo de possíveis abusos financeiros e apropriação indevida de recursos do idoso por parte de familiares, configurando um quadro de exploração e maus-tratos que resultou em pedidos de medidas protetivas.
Para encerrar este ciclo de registros na primeira quinzena de fevereiro, a Vila Operária foi cenário de um crime contra uma gestante de 34 semanas no dia 12. O ex-companheiro da vítima, de 25 anos, além de proferir ameaças de morte, utilizou-se da difamação para atingir a honra da mulher, divulgando materiais falsos e conteúdos ofensivos. A condição de vulnerabilidade extrema da gestante, que teme pela própria vida e pela do bebê, coloca em xeque a eficácia das barreiras sociais contra agressores contumazes.
Todos esses casos estão sendo investigados pela DDM de Avaré.




































