
Um desastre ambiental de grandes proporções, que vem se desenhando silenciosamente desde 2024, atingiu um ponto crítico nesta última semana de março de 2026. O alerta vem do biólogo Alex Aurani, especialista que traz no currículo a experiência em grandes desastres como o de Brumadinho e utilizou suas plataformas digitais para expor uma situação crítica que vem se agravando desde 2024 e que atingiu seu ápice nesta semana: o soterramento de um patrimônio histórico e a destruição do ecossistema local.
Segundo o especialista, a combinação de obras paralisadas e falta de contenção estaria destruindo o ecossistema local.
O epicentro do problema seria um empreendimento residencial. Com as obras atualmente paralisadas, o local tornou-se um campo de grandes voçorocas. Sem a devida cobertura vegetal ou sistemas de drenagem eficientes, toneladas de terra estão sendo arrastadas para um curso d’água a leste do loteamento.
Imagens de satélite obtidas pelo biólogo via Google Earth mostram que o carreamento de sedimentos já era visível em 2024, mas a inércia transformou o que era um problema pontual em uma catástrofe hídrica.
O impacto mais visível e imediato ocorre na fronteira com o Horto Florestal de Avaré. O sedimento vindo do empreendimento está obstruindo o túnel sob a “linha velha”, uma construção histórica que remonta ao período do Brasil Império. “Esse curso d’água encontra- se com o Ribeirão Lajeado dentro do Horto Florestal e ambos estão sendo assoreados, impactando todo o ecossistema, desde o ambiente aquático quanto o terrestre, pois grande parte da mata ciliar já está morta, ou bastante comprometida. É preciso uma ação imediata, pois além dos graves danos ambientais, com as próximas chuvas, o túnel pode se fechar por completo, represando o curso d’água e provocando o rompimento total do aterro, o que geraria uma rápida e destruidora inundação a jusante, pondo em risco vidas humanas”, reforça Aurani.
De acordo com Aurani, o assoreamento severo já causou o desmoronamento de aproximadamente 7 metros da estrutura do túnel na face norte. “A face sul ainda está em pé, mas sofre com a pressão do acúmulo de terra. Com as próximas chuvas, o túnel pode se fechar por completo, criando uma represa artificial. Se esse aterro romper, teremos uma inundação destruidora abaixo, colocando vidas humanas em risco”, adverte o biólogo.
Dentro do Horto Florestal, a situação é desoladora. O curso d’água vindo do loteamento encontra-se com o Ribeirão Lajeado, e ambos estão sendo “estrangulados” pela lama.
Grande parte da vegetação nas margens já está morta ou seriamente comprometida pelo soterramento das raízes, segundo relata o biólogo. Em pontos onde antes havia profundidade, hoje existe uma lâmina de até 2 metros de sedimentos, o que já causou a queda de pontes e o alagamento de trilhas e antigas estações de captação de água.
O biólogo registrou rastros de tamanduá-bandeira e lobo-guará dentro da área do empreendimento e proximidades. Ambas as espécies estão em risco de extinção e dependem desse corredor ecológico que agora está sendo devastado.
Alex Aurani, que já atuou em complexos como Belo Monte e nas bacias de rejeitos em Minas Gerais, reforça que sua denúncia tem caráter estritamente técnico e preventivo. “Não tenho intenção de prejudicar ninguém, mas estudei para isso e vi o que aconteceu em Brumadinho. Precisamos de uma ação imediata das autoridades e dos responsáveis pelo empreendimento antes que o dano seja irreversível ou que uma tragédia humana aconteça”, afirma.





































