O que acontece quando uma cientista decide investigar o próprio campo de batalha? Para a bióloga avareense Alessandra Augusta de Freitas, especialista pela Escola Politécnica da USP e egressa do curso de Biologia da UNEDUVALE, a resposta veio em forma de números avassaladores e um reconhecimento acadêmico raramente visto. Seu estudo, intitulado “Liderança Deficiente, Esgotamento em Alta”, acaba de ser alçado ao status de maior e mais relevante pesquisa sobre saúde mental docente do estado, atingindo marcas de impacto nacional.

O trabalho foi classificado pela banca examinadora da USP como um “diamante acadêmico”, devido à sua precisão estatística e à coragem de tocar em feridas profundas do sistema educacional.

Aos 32 anos, Alessandra transforma sua vivência em sala de aula em um estudo histórico que une ciência, empatia e gestão humanizada. O levantamento ouviu 13.725 professores entre o final de 2024 e julho de 2025, revelando uma crise silenciosa de adoecimento emocional e falhas de liderança nas escolas públicas.

Os resultados são contundentes e servem de alerta para a Secretaria da Educação de São Paulo:

  • 72% dos professores sofrem de depressão ou esgotamento (Burnout);
  • 78% relatam ter sofrido assédio moral;
  • 65% afirmam ser vítimas de perseguição profissional;
  • Apenas 12% dos docentes não trabalharam doentes no ano de 2025.

“O que mais adoece o professor não é o aluno. É a falta de liderança humana, o silêncio diante do sofrimento”, afirma Alessandra.

Trajetória de Pioneirismo

Natural de Avaré e com passagens marcantes pela pesquisa científica no interior paulista, Alessandra não é estreante no protagonismo acadêmico. Antes de focar na educação, foi pioneira no uso de gelo seco em estudos sobre Febre Maculosa, trabalhando com referências mundiais no tema. Sua atuação rendeu o título de “Mulher na Ciência” pela Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente.

Na educação, sua força política também se destacou: foi a única mulher eleita vice-presidente da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio) em sua região, um marco para a representatividade feminina em espaços de decisão e segurança do trabalho.

Reconhecimento Internacional

A produção de Alessandra também cruzou fronteiras. Na ESALQ-USP, sua pesquisa sobre a exclusão da Biologia no Novo Ensino Médio foi avaliada por Verónica Marcela Guridi, renomada especialista argentina em políticas educacionais, que a descreveu como “uma mente rara, que une ciência e emoção na mesma medida”.

Além do rigor técnico, Alessandra coleciona vitórias práticas: foi homenageada por revelar os melhores alunos de Biologia da Olimpíada Brasileira de 2022, provando que a excelência nasce e floresce no ensino público quando há mediação qualificada.

Muito além do diagnóstico, o projeto de Alessandra apresenta planos de ação estruturais, incluindo treinamentos de liderança empática e a criação de políticas permanentes de saúde mental dentro das unidades escolares.

“Não fiz este trabalho por vaidade. Fiz porque vi colegas adoecendo, chorando nos corredores, pedindo ajuda que nunca veio. Este é o grito dos professores do Brasil”, conclui a pesquisadora.

O estudo deve ser publicado em breve pela Revista da USP, consolidando Alessandra Augusta de Freitas como uma das vozes mais promissoras e necessárias na defesa do professorado paulista.

“Ela é um orgulho a nós”, diz uma ex-professora da avareense. Em julho de 2024, o in Foco já havia noticiado a trajetória da brilhante profissional.

(Fonte parcial Jornal de Piracicaba)