
O andamento da Comissão Processante (CP) na Câmara Municipal ganhou novo capítulo com o depoimento de Iago Lima, idealizador do abaixo-assinado que mobilizou a sociedade civil em torno do pedido de cassação.
Em declaração exclusiva ao in Foco, Iago expressou surpresa com o rumo das oitivas e contestou as tentativas de personalizar o processo como uma iniciativa isolada da imprensa.
Diferente do que foi sugerido em depoimentos recentes no Legislativo, o pedido de cassação não nasceu de um gabinete ou de uma redação. Segundo Iago, a iniciativa foi uma resposta direta à indignação da comunidade após os episódios registrados na Casa de Leis.
“O pedido surgiu a partir da mobilização popular. Organizei um abaixo-assinado eletrônico que reuniu mais de 2.500 assinaturas, o que deu legitimidade e força para que o protocolo fosse formalizado pela munícipe Juliane”, esclarece o jovem.
Iago pontuou que a participação da jornalista Cida Koch, mencionada de forma recorrente por outros depoentes, limitou-se a um auxílio técnico pontual, comum a qualquer cidadão e contribuinte que exerce seu direito de manifestação, especialmente diante da falta de conhecimento técnico dos envolvidos sobre os ritos regimentais.
Distorções e “Prints” Fora de Contexto
O autor do abaixo-assinado classificou como “preocupante” o uso de recortes de conversas privadas e prints descontextualizados durante os trabalhos da comissão. Para ele, o foco da CP tem sido desviado para questões de “rixas pessoais” que não dizem respeito ao objeto principal da investigação.
“Houve distorções que prejudicam a imagem de terceiros com prejulgamentos. É lamentável ver alguém que antes cobrava a administração mudar de posicionamento de forma tão drástica, apresentando fatos de maneira isolada que não refletem a verdade total”, afirmou Iago.
Outro ponto crítico levantado por Iago diz respeito à condução das oitivas pela Comissão. Ele demonstrou preocupação com o que chamou de “indução de depoimento”, citando o caso de Vinícius Berna.
Iago reforça que os registros em vídeo são provas irrefutáveis de que o cidadão foi retirado à força do recinto por ordem da presidência enquanto exercia seu direito de manifestação. “A pergunta que fica é: em que exatamente ele [Berna] teria mentido? As imagens são claras”, questiona.
Para o idealizador do abaixo-assinado, a Comissão Processante deve atuar com imparcialidade absoluta. O objetivo central, segundo ele, deve ser o zelo pelos fatos e pela ética pública, sem se transformar em uma arena para defesas de interesses particulares ou ataques pessoais a profissionais da comunicação.
O in Foco continuará acompanhando os desdobramentos da CP e o cumprimento do cronograma legislativo.
Veja o depoimento na íntegra:
“Em relação ao último depoimento prestado à Câmara, referente à Comissão Processante (CP), confesso que fiquei surpreso, tanto pela pessoa que depôs quanto pelo conteúdo apresentado. Trata-se de alguém que, até pouco tempo, era uma das vozes mais ativas na cobrança da atual administração, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Por isso, essa mudança repentina de posicionamento chama a atenção e merece reflexão.
Quanto ao conteúdo, considero preocupante a forma como os fatos foram expostos. Houve distorções e descontextualizações de conversas privadas e recortes de capturas de tela (prints) que, de forma isolada, não refletem a verdade. Além disso, percebo que rixas pessoais da depoente envolvendo a jornalista Cida Koch foram mencionadas, arrastando indevidamente terceiros ao processo e prejudicando imagens com prejulgamentos.
Sobre o pedido de cassação, esclareço que não se trata de uma iniciativa da Sra. Cida Koch, ao contrário do que foi dito. O pedido nasceu da mobilização popular após os eventos na Câmara. Como parte desse movimento, organizei um abaixo-assinado eletrônico com mais de 2.500 assinaturas. A partir daí, a munícipe Juliane tomou a iniciativa de protocolar o pedido. A participação da Sra. Cida Koch limitou-se a um auxílio pontual, o que é legítimo, visto que, além de jornalista, ela é cidadã e eleitora. Esse auxílio ocorreu apenas porque nenhum dos envolvidos possuía conhecimento técnico sobre o procedimento.
Por fim, ressalto que não tenho questões pessoais contra nenhum vereador. Contudo, a CP deve ser imparcial e ater-se aos fatos. Causa preocupação a condução que sugere indução de depoimentos, como na tentativa de atribuir uma ‘inverdade’ ao Sr. Vinícius Berna. Questiono: em que exatamente ele teria mentido? Os registros em vídeo são claros: o cidadão foi retirado à força do local pelo presidente da Câmara e por funcionários enquanto exercia seu direito de manifestação.”





































