A crise institucional e o isolamento político no topo do Poder Executivo de Avaré ganharam novos e dramáticos contornos nesta terça-feira (04). Em uma série de vídeos publicados em suas redes sociais, a vice-prefeita Kika Monteiro (PL) tornou pública a peregrinação burocrática e o tratamento desrespeitoso a que vem sendo submetida internamente ao tentar obter informações oficiais do Governo Municipal, do qual foi eleita para fazer parte.

O foco do questionamento de Kika são as providências administrativas cobradas ao prefeito quanto aos recorrentes ataques e investidas virtuais sofridos por ela e promovidos pelo servidor comissionado José Paulo Santos de Oliveira, conhecido como Paulo Proença. Apesar de especulações e acenos recentes sobre uma possível exoneração do comissionado, a medida ainda não foi oficializada no Diário Eletrônico, mantendo o servidor em pleno exercício do cargo.

Nos relatos gravados, Kika Monteiro detalhou a saga enfrentada por ela em busca de informações.  A vice-prefeita dirigiu-se inicialmente à Procuradoria-Geral do Município em busca de atualizações sobre o andamento de seu pedido de providências. De lá, foi orientada a procurar a Secretaria de Administração.

Ao chegar à pasta responsável pela gestão de pessoal, foi novamente redirecionada de volta à Procuradoria, onde, por fim, foi informada de que a documentação contendo a decisão e as providências cabíveis estaria, na verdade, no Gabinete do Prefeito.

O desvio de responsabilidade e a falta de respostas diretas motivaram um duro desabafo da vice-prefeita:

“Qual a finalidade de uma vice? Implorar por informações? Não foi esse o combinado. Queria ser uma vice ativa”, desabafou, evidenciando o rompimento da convivência harmônica na gestão municipal.

Histórico de violência política de gênero e silêncio oficial

O episódio é o desdobramento mais recente de um ambiente de conflagração que se arrasta há semanas. Anteriormente, Kika Monteiro formalizou Boletim de Ocorrência por violência política de gênero amparada pelo protocolo do Ministério da Justiça e pelo Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Política contra a Mulher. A medida foi tomada após o comissionado utilizar plataformas digitais para veicular narrativas sem provas e atos de intimidação, configurando, segundo a vice-prefeita e especialistas em direito público, clara quebra de decoro funcional.

Mesmo após acusações formais, manifestações públicas de solidariedade à vice-prefeita e repercussão na imprensa local, a chefia do Executivo optou por manter um silêncio constrangedor.

A ausência de posicionamento oficial, aliada à não abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) ou publicação de exoneração, consolida a percepção de apagamento institucional do cargo de vice-prefeita e invalidação de suas atribuições constitucionais.

Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Avaré e a chefia de Gabinete não emitiram notas sobre as declarações da vice-prefeita Kika Monteiro nem esclareceram a situação funcional do servidor citado. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações oficiais.