
O serviço público municipal de Avaré perdeu oficialmente na última semana um de seus maiores guardiões da memória coletiva. Após 41 anos de dedicação ao funcionalismo, o pesquisador, historiador e escritor Gesiel Júnior, de 61 anos, despediu-se de suas funções no último dia 22 de junho.
O encerramento deste ciclo histórico não poderia ter ocorrido de outra forma: na tribuna da Câmara Municipal de Avaré, Gesiel proferiu uma palestra emocionante sobre a pintora avareense Djanira da Motta e Silva, de quem é biógrafo e cuja preservação do legado ajudou diretamente a consolidar em Avaré.
Mais do que uma despedida formal, a passagem do historiador pelo Legislativo trouxe um importante pleito para o futuro da cultura local. Gesiel aproveitou o espaço para sugerir formalmente a criação de um cargo técnico e efetivo para a liderança cultural do município: “O Museu Municipal e o Memorial Djanira estão sem um diretor efetivo. Portanto, sugiro que seja criado o cargo de diretor do Museu e do Memorial, mas que a função seja ocupada por um profissional aprovado em concurso público. Afinal, o cargo é importante”, enfatizou, fazendo mais dois pedidos: que nos serviços de restauro dos prédios da CAIC sejam providenciadas obras para maior segurança das telas da pintora e que a Prefeitura, em conjunto com as secretarias de Cultura e Turismo, prepare servidores para abertura do Museu e do Memorial nos fins de semana, como ocorrem nas estâncias turísticas.
Uma vida dedicada ao patrimônio de Avaré
Natural de Águas de Santa Bárbara, Gesiel Júnior construiu em Avaré sua vida profissional e familiar. Embora se considere um autodidata na essência de sua incansável rotina de apuração, possui sólida formação humanística e acadêmica: cursou Filosofia e Teologia no Seminário de Botucatu e graduou-se em História pela Faculdade de Ciências e Letras da Fundação Regional Educacional de Avaré (Frea).
Servidor municipal concursado desde 1985, sua atuação confunde-se com a própria história das instituições culturais da cidade, tendo ocupado cargos de secretário de Comunicação e assessor no Legislativo. Ele foi peça-chave no cotidiano do Museu Histórico Anita Ferreira De Maria e um dos grandes idealizadores do Memorial Djanira, fundado em 2008. Graças ao seu olhar minucioso, décadas de documentos, obras, fotografias e depoimentos foram catalogados e salvos do esquecimento.
Com uma impressionante marca de 66 livros publicados, a vasta maioria dedicada à historiografia de Avaré e região, Gesiel transformou a história local em literatura acessível. Além de Djanira, o autor imortalizou em biografias e registros documentais grandes personalidades de Avaré e região, tais como o desbravador e pioneiro Maneco Dionísio; os religiosos Padre Celso Ferreira e Padre Emílio Immoos; além de eternizar a passagem histórica de Santa Paulina por terras avareenses.
Reconhecido além das fronteiras locais, Gesiel é membro correspondente da prestigiada Academia Botucatuense de Letras desde 2014. Gesiel é casado com a professora Regina Célia Gonçalves, tem dois filhos e três netos. Atualmente ele colabora também com o jornal in Foco.









































