
Em mais um capítulo no caso que envolve o presidente da EMAPA e vice-presidente municipal do PL, Giovani Clauan Alves Daltio, a defesa técnica dos quatro envolvidos na ocorrência da Rodovia Cândido Portinari (incluindo Daltio) divulgou uma nota de esclarecimento à imprensa neste sábado (7).
O posicionamento contudo, foi encaminhado apenas ao Voz do Vale — veículo alinhado ao PSD, partido da base governista local —, e rebate acusações de evasão de pedágio e informa a soltura dos investigados, mas silencia sobre a origem e a justificativa para o transporte de apetrechos de uso restrito, placas oficiais da promotoria e símbolos de representação pública.
A peça defensiva traz ainda um bastidor político e jurídico relevante: a nota é assinada por dois advogados que exercem cargos comissionados na Prefeitura Municipal de Avaré : João Adolfo Drumond Freitas (que atuou na defesa de Samuel Paes, presidente do legislativo) e Tiago Lopes da Rocha (ambos integrantes do escritório Rocha & Negrão) – o que levanta novos questionamentos sobre o alinhamento institucional do Executivo com a defesa dos investigados. Vale lembrar que Freitas está processando a jornalista do in Foco, Cida Koch, por um direito de resposta concedido no caso Paes e a bloqueou no whatsApp.

O que a defesa contesta: liberação de veículo e pedágio
No documento, os advogados negam que a caminhonete Toyota Hilux conduzida por Daltio tenha furado o pedágio no km 374, na região de Restinga (SP). Segundo a versão apresentada, um extrato do sistema de cobrança automática Sem Parar comprova o registro e o pagamento regular da tarifa. O comprovante, segundo a nota, será anexado aos autos.
A defesa também destacou que a Hilux foi restituída ao proprietário por decisão judicial, sob o entendimento de que não havia irregularidades no veículo que justificassem a continuidade da retenção.
Quanto à situação processual dos quatro ocupantes detidos na ocasião, os advogados confirmaram a concessão de liberdade provisória durante a audiência de custódia realizada em Franca. O pedido de soltura contou com parecer favorável do Ministério Público do Estado de São Paulo e foi deferido pela magistrada do caso. Um requerimento para a restituição dos demais objetos apreendidos e dos aparelhos celulares também já foi protocolado e aguarda parecer do Judiciário.
O que a nota não explica: símbolos de autoridade e placas da procuradoria
Apesar de buscar rebater a narrativa de fuga e ostentar a concessão da liberdade provisória, a nota enviada ao jornal governista esquivou-se de esclarecer os pontos centrais e mais graves que motivaram a autuação em flagrante:
- Origem dos insumos oficiais: A nota não justifica por que o grupo transportava um distintivo oficial da Polícia Civil paulista (com colar e chave-lacre) nem algemas gravadas com a identificação da Penitenciária II de Avaré (“PII Avaré”).
- Placas da Procuradoria-Geral: Não foi apresentada qualquer explicação formal para a presença e o uso de duas placas de representação oficial da Procuradoria-Geral da Estância Turística de Avaré (AP nº 100), sobrepostas às placas originais dos automóveis para burlar a fiscalização.
- Viagem de madrugada e destino contratual: Os advogados mantiveram a versão de que o grupo viajava a Ibiraci (MG) para realizar “serviços de pintura na fachada de um batalhão da Polícia Militar”, mas continuam sem apresentar ordem de serviço, contrato público ou documentação legal que justificasse a empreitada na madrugada de terça-feira.
Vínculo comissionado e o silêncio no processo
A escolha do veículo de imprensa para a veiculação da nota — o Voz do Vale, tradicionalmente alinhado à base do prefeito Roberto Araujo (PSD) — e a assinatura por advogados nomeados em cargos de confiança no Executivo municipal levantam questionamentos entre a defesa pessoal de Daltio e a estrutura política da cidade.
Ao final do comunicado, a defesa se limita a declarar que os pontos remanescentes “serão esclarecidos no decorrer do processo” e pediu que a opinião pública não tire conclusões precipitadas antes da conclusão das investigações conduzidas pelo 4º Distrito Policial de Franca.
Enquanto isso, os celulares apreendidos passam por perícia técnica e o Ministério Público acompanha o inquérito para apurar eventuais crimes contra a fé pública e a administração municipal.
(Fonte Voz do Vale)





































