
O presidente da EMAPA (Exposição Municipal Agropecuária e Industrial de Avaré) e vice-presidente do diretório municipal do PL, Giovani Clauan Alves Daltio, reapareceu nas redes sociais neste sábado (7), após ter sido solto ontem segundo matéria do Voz do Vale, jornal ligado ao PSD partido da base governista.
Em um vídeo gravado com uma xícara de café, Daltio afirma estar em Avaré desde terça-feira (3) e declara que, “no momento oportuno, irá se manifestar” e que “a verdade prevalecerá”.
Contudo, a declaração pública do dirigente conflita com os registros oficiais da polícia e da Justiça, escancarando uma narrativa suspeita sobre os fatos recentes. Vale ressaltar que ainda ontem (6) o perfil dele no instagram foi temporariamente retirado e hoje, voltou.
A principal incoerência na fala de Daltio reside na linha do tempo de seu paradeiro. No vídeo publicado neste sábado, ele afirma estar em Avaré desde terça-feira. No entanto, foi exatamente na madrugada de terça-feira (3 de novembro de 2026) que Daltio foi preso em flagrante pela Polícia Militar Rodoviária na Rodovia Cândido Portinari, na região de Franca (SP), após uma abordagem de alta gravidade que envolveu veículos em alta velocidade, fuga de pedágio e placas OFICIAIS cobertas.
Além disso, ao contrário da insinuação de que estaria circulando livremente por Avaré desde o início da semana, Daltio permaneceu acautelado e só foi posto em liberdade na véspera (sexta-feira, 6 de novembro), após os trâmites legais na Cadeia Pública de Franca. A tentativa de naturalizar a presença em Avaré desde terça-feira parece ignorar o fato de que o dirigente passou os últimos dias detido em decorrência de uma prisão em flagrante por crimes graves, incluindo adulteração de sinal identificador de veículo automotor e desobediência, com fiança inicialmente negada pela autoridade policial devido à gravidade dos delitos.
Relembre o caso: placas oficiais, distintivo e algemas
A prisão de Giovani Daltio ocorreu na companhia de outros investigados, quando equipes policiais interceptaram uma caminhonete Toyota Hilux conduzida por ele e um Toyota Corolla branco. Na ocasião, a fiscalização descobriu um verdadeiro arsenal de uso restrito e apetrechos de representação oficial nos veículos:
- Um distintivo oficial da Polícia Civil do Estado de São Paulo com colar e chave-lacre;
- Uma algema da marca CBC gravada com a identificação “PII Avaré” (referência à Penitenciária II de Avaré);
- Placas de representação oficial da Procuradoria-Geral da Estância Turística de Avaré (identificadas como Avaré/SP e AP nº 100), sobrepostas às placas originais para burlar fiscalizações;
- Sinalizador refletivo (highlight).
A ocorrência gerou forte repercussão institucional e política em Avaré, somando-se ao histórico controverso de Daltio — que inclui sua alegada “exoneração” para não ser expulso da Polícia Militar em maio de 2022 e denúncias recentes de uso político da estrutura da EMAPA e perseguição a veículos de imprensa independentes, como o in Foco.
Enquanto o presidente da EMAPA promete “manifestação oportuna” e a prevalência da “verdade”, o caso segue sob investigação rigorosa pelas autoridades policiais para esclarecer a origem dos artefatos oficiais apreendidos e a real motivação da viagem clandestina durante a madrugada.
Até o momento o prefeito Roberto Araujo não se manifestou sobre o caso, principalmente no que se refere às placas oficiais da promotoria encontradas com Daltio.
Veja aqui matéria divulgada ontem sobre o caso.




































