O avanço das obras do novo Shopping Center em Avaré, embora celebrado como um importante passo para o desenvolvimento econômico local, acendeu um sinal de alerta sobre as condições de mobilidade urbana na cidade. Em recente manifestação, o empresário Silvano Porto, ex-candidato a prefeito de Avaré pelo Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições de 2024, chamou a atenção para o iminente estrangulamento do trânsito na região periférica e cobrou planejamento e contrapartidas da administração municipal.

Reconhecendo que o empreendimento está no plano de governo do prefeito Roberto Araujo (PL), Silvano Porto alertou para o problema, realizando um trajeto que conecta importantes artérias viárias da zona norte da cidade para ilustrar a dimensão do problema. Segundo ele, enquanto a implantação do centro de compras segue respaldada por incentivos concedidos pelo poder público — como a isenção total de impostos aprovada pela Câmara Municipal —, a Prefeitura tem falhado em exigir as compensações de infraestrutura urbana necessárias para mitigar o impacto no fluxo de veículos.

O empresário aponta que o tráfego em pontos cruciais da cidade já se encontra saturado em horários de pico. “Aqui nós temos um problema sério de afogamento, aqui no trevo do Castelinho e no trevo aqui da Figueiredo. Seis horas da tarde ninguém anda aqui”, adverte.

A preocupação central reside na capacidade de escoamento de bairros em plena expansão habitacional. Percorrendo a avenida Domingos Leon Cruz, localizada no Bairro Presidencial, Santa Mônica, Silvano destacou que a via é fundamental para o fluxo de novos residenciais, como o “Minha Casa, Minha Vida” do São Rogério III e IV, que sozinhos somam cerca de 1.000 novas moradias.

O grande problema logístico ocorre no prolongamento dessa via: para que a Domingos Leon Cruz encontre a avenida Itália, no Jardim Europa, e crie um corredor viário alternativo, há o obstáculo físico da rodovia que corta o município. Atualmente, a única ligação subterrânea direta dentro do perímetro urbano na região é um túnel estreito de dimensões limitadas. “É uma passagem pequena, não tem altura para caminhões, ônibus grandes, enfim. Aí tem que sair para a pista”, explicou o empresário.

A projeção de crescimento populacional e comercial para a região torna o cenário ainda mais desafiador. Além do fluxo gerado pelo futuro Shopping Center, estima-se a criação de mais duas mil unidades habitacionais naquelas imediações.

Para Silvano Porto, o gargalo não se resolverá sem uma postura ativa da Prefeitura junto às empresas loteadoras e aos investidores do novo centro comercial. O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Avaré e das secretarias competentes a respeito de eventuais estudos de impacto de vizinhança (EIV) e planos de readequação viária para a região afetada.