O in Foco continua sem receber formalmente qualquer notificação acerca da suposta nota de repúdio emitida pela subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Avaré. O documento, que teria sido orquestrado para atacar o veículo de comunicação, foi estrategicamente distribuído de maneira indireta para outro meio de imprensa, especificamente o jornal Voz do Vale, ligado ao PSD (partido que apoia o governo municipal) omitindo do principal interessado o direito básico ao contraditório e à ampla defesa institucional.

Diante do cerceamento e da flagrante falta de lisura administrativa, a direção do in Foco buscou reiteradas vezes o posicionamento oficial tanto da OAB de Avaré quanto da seccional estadual da OAB de São Paulo. Contudo, o que se obteve das esferas institucionais foi o mais absoluto e ensurdecedor silêncio. Nenhuma nota explicativa, nenhuma justificativa jurídica e nenhuma resposta aos e-mails e requerimentos foram emitidos até o presente momento.

Conflito de Interesses

O embate teve início após o in Foco publicar uma detalhada reportagem baseada estritamente em dados oficiais extraídos do Portal da Transparência do município. A apuração jornalística trouxe à tona a atuação do advogado João Adolfo Drummond Freitas no processo de cassação do vereador Cabo Samuel Paes (PSD) correlacionando sua atuação técnica com a ocupação de cargo comissionado dentro da estrutura administrativa da prefeitura até 15 dias antes de ele assumir a defesa do presidente da Câmara. No dia seguinte à reportagem, o advogado manifestou-se para esclarecer que havia sido exonerado e assim, seu direito de resposta foi devidamente publicado com o reconhecimento da falha, embora a exoneração não tivesse sido publicada em nenhum semanário oficial.

A OAB local não foi sequer citada em nenhuma reportagem e ao invés de responder com dados ou contestar os documentos públicos apresentados, a resposta local deu-se por meio de uma nota de repúdio assinada pela presidência da subseção e por mais um diretor – a ausência de assinaturas de outros membros da diretoria causou estranheza e até o momento não foi explicada. O movimento levantou severos questionamentos por parte da sociedade avareense quanto a potenciais conflitos de interesse, visto que o atual presidente da OAB de Avaré, Marcos César Rodrigues, também possui vínculo com o Executivo municipal, ocupando cargo comissionado na atual gestão governamental na área da saúde; além disso, sua mulher é secretária de Relações Institucionais.

A Declaração do Presidente

 Após novas cobranças e insistência do in Foco, para que a Ordem se manifestasse de forma clara e protocolar sobre a “nota invisível”, o presidente da subseção de Avaré, Marcos César Rodrigues, enviou uma mensagem de áudio direta à direção do jornal. Na gravação, o mandatário adota uma postura de isolamento e acusa o veículo de não possuir a imparcialidade que, segundo ele, deveria nortear o jornalismo, justificando assim sua recusa em manter relações institucionais:

“…Eu disse para ela [Tita, vice presidente da ordem] que eu não quero mais espaços com você, eu não quero mais tratativas com você, mas achei por bem, ao invés de passar o recado pela Tita, te mandar essa mensagem. Eu me sinto muito desconfortável atualmente com você, Sida, porque na minha visão, e eu respeito a sua, respeito o seu trabalho, mas na minha visão, você está sendo extremamente imparcial, você está tendo muita raiva, muito ódio…(…) …Não vejo mais você como um jornal imparcial como você sempre bateu nessa tecla. Tá bom? Então por isso que eu não quero estreitar relações, por isso que eu não quero mais estreitar situações, só me afastei… O mundo é assim, né, cada um do seu lado, mas a gente pode coexistir.”

Para analistas políticos e profissionais da comunicação da região, a fala do presidente — ao classificar o exercício do jornalismo investigativo e a cobrança por transparência como “raiva” ou “ódio” — soa incompatível com o histórico de defesa das liberdades democráticas que a OAB nacional historicamente representa. A tentativa de rotular o portal ocorre precisamente no momento em que o jornalismo expõe as entranhas e os arranjos políticos dos cargos comissionados que sustentam a base governista.

Ao se omitirem, a OAB de Avaré e a OAB estadual de São Paulo deixam de cumprir o papel de mediadoras da legalidade e parecem optar pela blindagem corporativa de seus membros alinhados politicamente ao governo. O in Foco reafirma que continuará exercendo o jornalismo com o mesmo rigor, baseando-se em fatos, certidões e dados públicos, independentemente do desconforto que a verdade cause aos detentores do poder ou àqueles que deveriam, por dever de ofício, zelar pela Constituição e pela liberdade de imprensa.