
O silêncio institucional da Secretaria Municipal de Saúde de Avaré e da coordenação regional do SAMU diante de uma tragédia pública acende um debate alarmante sobre a responsabilidade e a transparência na gestão da saúde do município. Dias após uma fatalidade chocar clientes e funcionários de um supermercado no bairro Bonsucesso — onde um idoso faleceu no chão do estabelecimento após uma dolorosa e vã espera por socorro —, as autoridades competentes simplesmente ignoram os questionamentos da imprensa e, por consequência, da própria população.
Procurados oficialmente pela reportagem do in Foco para esclarecer o colapso no tempo de resposta e os critérios de triagem adotados no último sábado, 16, nem a Secretaria de Saúde e nem a direção do SAMU emitiram qualquer nota, justificativa ou manifestaram intenção de abrir sindicância. O silêncio absoluto soa como um doloroso descaso diante de uma vida perdida no comércio local.
O caso, que gerou profunda indignação na comunidade avareense, expõe as entranhas de um sistema de urgência que falhou quando mais se precisava dele. Segundo relatos de testemunhas e funcionários, a vítima chegou ao supermercado sozinha e debilitada, quase caindo na entrada. Prontamente acolhido pela equipe do mercado, o idoso permaneceu consciente por um período, e uma aferição em farmácia vizinha constatou que sua pressão arterial estava criticamente elevada.
A partir daí, iniciou-se uma desesperada corrida contra o relógio. O primeiro contato com o serviço de ambulância local esbarrou em uma resposta que beira o inacreditável: a previsão de espera informada seria de aproximadamente duas horas. Diante do resfriamento corporal da vítima e do agravamento do quadro, apelos foram feitos ao 190 (Polícia Militar) e 193 (Corpo de Bombeiros).
Enquanto a família corria para o local após ser avisada, clientes e funcionários assistiram, impotentes, aos momentos finais do idoso. Nenhuma unidade do SAMU ou dos Bombeiros chegou a tempo de realizar manobras de reanimação ou o transporte hospitalar. O óbito foi constatado no chão do estabelecimento, e funcionários precisaram cobrir o corpo. A Polícia Militar foi a primeira a chegar, restando apenas o manejo do corpo; o SAMU só apareceu após a retirada do idoso pela PM.
Respostas?
A gravidade do episódio exige mais do que notas protocolares; exige explicações detalhadas. Por que um chamado de alto risco recebeu a previsão de duas horas de espera? Onde estavam as ambulâncias da frota municipal e as viaturas do SAMU no momento do chamado? Houve falha na triagem do protocolo de urgência?
Essas foram as perguntas enviadas pela reportagem aos órgãos públicos. A recusa em responder ou em retornar os contatos demonstra uma preocupação maior em blindar a gestão do que em prestar contas à comunidade que financia o sistema de saúde.
O espaço editorial do in Foco segue aberto. A população de Avaré não aceitará o esquecimento como resposta para uma tragédia que poderia ter sido evitada se o socorro tivesse chegado a tempo.




































