O que deveria ser um processo de transparência e prestação de contas transformou-se em um palco de indignação popular em Avaré. Nos últimos dias, as redes sociais foram tomadas por comentários de munícipes revoltados com o que classificam como uma “manobra descarada” para desviar o foco da Comissão Processante (CP) que investiga a cassação do presidente da Câmara, Cabo Samuel Paes.

O sentimento geral é de que o Legislativo está utilizando estratégias paralelas para protelar o desfecho da CP. Internautas não pouparam críticas, apontando que tentativas de culpabilizar a imprensa ou trazer fatos extemporâneos ao processo não passam de uma tentativa de “blindar” o parlamentar investigado.

“É uma vergonha o que estamos assistindo. Em vez de focarem no decoro e na agressividade mostrada contra cidadãos, tentam inverter o jogo”, escreveu um munícipe em uma das publicações. Outro comentário, com grande adesão, destacou: “Querem ganhar no cansaço e no desvio de assunto, mas a população de Avaré está de olho”.

“Então isso quer dizer que Samuel Paes não cometeu violência contra o rapaz que protestou contra os aumentos salariais abusivos aprovados pelos vereadores; que as cenas dessa violência absurda e criminosa que assistimos no vídeo divulgado. na verdade, não aconteceram?”, escreveu um dos dirigentes do PT, Paulo de Mattos Skromov, sintetizando o sentimento de incredulidade que dominou as discussões.

A revolta cresceu após depoimentos e movimentações que tentaram deslocar a responsabilidade dos fatos para o trabalho jornalístico do portal in Foco e para a conduta de terceiros, ignorando o vídeo que originou a denúncia: a retirada à força de um cidadão do plenário.

Para muitos eleitores, a estratégia de defesa adotada na CP é um desrespeito à inteligência do cidadão avareense. “Usar a estrutura pública para perseguir quem noticia a verdade é o ápice do autoritarismo”, dizia uma das postagens mais compartilhadas.

A pressão popular parece não dar trégua. Com a suspensão da sessão ordinária desta segunda-feira devido ao ponto facultativo, o receio da população é que o distanciamento das discussões presenciais favoreça novas manobras de bastidor.

O recado das redes sociais é claro: os moradores de Avaré exigem que a CP cumpra seu papel com seriedade, sem “cortinas de fumaça” ou tentativas de desviar o foco do que realmente importa — a conduta ética e o respeito ao povo dentro da Casa de Leis.

 Depoimento “bombástico”

Após a divulgação de um depoimento que alega que a denúncia original teria sido “orquestrada” pela jornalista Cida Koch, a reação popular nas redes sociais foi imediata e majoritariamente de repúdio ao que muitos chamam de “manobra política”. A revolta pode ser constatada nos comentários e reações às matérias veiculadas pelo Voz do Vale, jornal ligado ao PSD, partido de Paes.

O ponto central da indignação reside no contraste entre o novo depoimento e as imagens amplamente divulgadas, que mostram a retirada forçada de um cidadão da Casa do Povo durante um protesto contra o aumento salarial dos vereadores. “Será que o vídeo também foi orquestrado? É pra acabar!”, ironizou a internauta Ana Maria de Oliveira. Outros comentários seguiram a mesma linha, apontando que, independentemente de quem redigiu a denúncia, o ato de quebra de decoro foi presenciado por todos.

O depoimento veiculado pelas redes sociais da Câmara Municipal, com aviso postado às 2h04 da madrugada foi criticado também nas publicações oficiais do perfil legislativo.

O papel da CP

 A pressão popular agora se volta para os membros da Comissão Processante. Os eleitores cobram imparcialidade e coragem dos vereadores para que o processo não termine em “pizza”. Segundo o sentimento geral da população, a tentativa de transferir a culpa para terceiros é vista como um insulto à inteligência do cidadão avareense.

“Não nos chamem de estúpidos. O presidente não precisou de ninguém para causar desafeto, ele mesmo se encarregou disso”, desabafou uma internauta. .

Defesa do Jornalismo e do in Foco

A tentativa de colocar a jornalista Cida Koch como “vilã” ou “mentora” da denúncia surtiu o efeito contrário, gerando uma rede de solidariedade ao portal in Foco.

Internautas destacaram que a jornalista apenas deu voz ao que a população já sentia. “Atacam a imagem dela porque não conseguem atacar sua verdade. Cida incomoda porque trabalha com seriedade e não se vende”, defendeu Mariana Freitas Teixeira.

“A Cida não orquestrou nada, foi a união pública legítima. O in Foco foi um dos poucos a dar credibilidade à vontade do povo”, reforçou Athena Guia.

 

Suspeitas de “cortina de fumaça”

A mudança repentina no discurso da testemunha Priscila Bexiga — que anteriormente se manifestava a favor da cassação — levantou suspeitas entre a população. Termos como “cortina de fumaça”, “manobra de tapetão” e insinuações sobre supostos benefícios financeiros ou cargos foram recorrentes nas críticas, estão expostas nos comentários (até o momento mantidos pelo Voz do Vale).

“Estão tentando desvirtuar o ocorrido. As fotos não mentem”, afirmou João Nilton Licatti. Já o internauta Mario Monteiro classificou a situação como uma “típica manobra política baixa, visando confundir e desfocar a realidade”.

A mudança radical da depoente, que antes era vista protestando ativamente na Câmara e agora “vira a casaca”, foi recebida com desdém e comparações bíblicas.

 “Essa superou Caim e Judas”, comparou um internauta. Surgiram alertas sobre as consequências jurídicas da mudança de versão. “Será que ela sabe que falso testemunho é crime?”, questionou Hugo Oliveira.

O Fato imutável

Independentemente de quem redigiu a peça jurídica da denúncia, o “grito” uníssono das redes sociais é que o crime de quebra de decoro está registrado em vídeo e não pode ser apagado por fofocas políticas.

“O foco seria desviar o fato de retirar um munícipe à força da Casa do Povo?”, questionou Paulo Cesar. “O que importa quem fez a denúncia? Os fatos importam. O vídeo foi montado? O vereador não tirou o munícipe?”, indagou Julianne Oliveira, autora do pedido.

A estratégia da defesa de Samuel Paes em midiatizar o depoimento parece ter gerado um “efeito bumerangue”. Em vez de aliviar a pressão sobre o vereador, a manobra reforçou a percepção de que Avaré vive um “circo político” onde a verdade dos vídeos luta contra a narrativa de conveniência. A frase de Mario Monteiro resume o sentimento geral: “A entrevista beira o ridículo… o desespero para livrar o vereador é visível, mas esse barulho não tem capacidade de questionar a cassação.”

 

Nota da Redação

O in Foco se coloca a disposição da depoente Priscila Bexiga, da defesa de Samuel Paes e dos vereadores da CP, para contestação.