O Coletivo Djanira, movimento social lançado em março de 2026 com foco na proteção da mulher e no combate à violência de gênero, veio a público manifestar seu total apoio ao jornal in Foco e analisar, sob uma perspectiva social e ética, o desfecho das recentes investigações na Câmara Municipal.

Em um manifesto intitulado “Justiça ou Teatro?”, o coletivo traça um paralelo contundente entre a truculência sofrida por cidadãos no Legislativo e a cultura da culpabilização da vítima, muito comum em casos de violência contra a mulher.

Para o Coletivo Djanira, a tentativa de justificar a agressividade de autoridades com a alegação de que houve “provocação” dos munícipes é uma manobra antiga com um novo figurino.

“Quando uma mulher sofre uma violência, o sistema agressor corre para perguntar que roupa ela estava usando. Na Câmara, estão fazendo a mesma coisa: tentam provar que a vítima foi de caso pensado para provocar”, afirma o documento.

O coletivo é categórico ao afirmar que, assim como uma roupa jamais justifica um estupro, uma pergunta difícil ou a presença crítica de um cidadão jamais justifica o uso da força bruta em uma Casa de Leis. “Se a autoridade perde a linha e usa a força, a falha é exclusivamente dela”, pontua o manifesto.

O movimento rebate a ideia de que a presença popular no Legislativo dependa de “permissão emocional” dos parlamentares. O texto lembra que a Constituição Federal e a Lei de Acesso à Informação garantem o direito político de manifestação, seja através de cartazes ou críticas diretas.

Para o Djanira, o argumento de “provocação” utilizado pela defesa do presidente da Casa, Cabo Samuel Paes, funciona, na verdade, como uma autoincriminação: “Ao dizer que agiu com truculência porque foi provocado, ele confessa que não tem preparo emocional nem estatura política para o cargo que ocupa”.

Além da questão ética e moral, o coletivo alerta para os danos econômicos que o comportamento das autoridades locais pode trazer para a Estância Turística de Avaré.

  • Imagem Turística: O coletivo questiona quem desejará investir em uma cidade que vira notícia nacional por “coronelismo de província”.
  • Desenvolvimento: A validação da truculência espanta investidores e mancha a reputação do comércio local, fechando as portas para o futuro.

Sobre o Coletivo Djanira

Lançado oficialmente em março de 2026, no Auditório do IFSP, o Coletivo Djanira (que homenageia a artista Djanira da Motta e Silva) surge em Avaré como uma rede de proteção integrada. O grupo visa pautar políticas públicas efetivas e promover ações de conscientização, unindo forças para que a voz das mulheres e da sociedade civil organizada seja ouvida e respeitada nos espaços de poder.

O manifesto encerra com uma mensagem clara de resistência: “Quem não aguenta o brilho da democracia, que não tente apagar a luz de quem cobra por ela”.

Veja o texto na íntegra

“JUSTIÇA OU TEATRO?

O COLETIVO DJANIRA ANALISA A CÂMARA

​Hoje o jornal in Foco traz o desfecho indignante da CPI na Câmara de Avaré. Vimos o óbvio ser soterrado por prints áudios recortados e fumaça digital.

​Mas o Coletivo Djanira convida você a olhar para o que está por trás desse malabarismo. Sabe aquela velha tática do patriarcado de culpar a vítima? Pois é, ela mudou de cenário, mas o figurino é o mesmo.

​A TÁTICA DA SAIA CURTA NA POLÍTICA

​Quando uma mulher sofre uma violência sexual, o sistema agressor corre para perguntar:

“Mas que roupa ela estava usando?”

“A saia era curta” “Ela deve ter provocado”

​Na Câmara, estão fazendo a mesma coisa com o munícipe que foi retirado à força:

​O FATO: Uma autoridade pública agiu com truculência e abuso de poder (filmado e registrado!).

​A MANOBRA: Tentam provar que a vítima “foi de caso pensado para provocar”.

​VAMOS ENTENDER UMA COISA: Assim como uma saia curta jamais justifica um estupro, uma presença incômoda ou uma pergunta difícil jamais justifica o uso da força bruta em uma Casa de Leis.

​ O QUE ESTÁ EM JOGO?

​Uma autoridade pública é paga para ter equilíbrio, decoro e respeito à Constituição.

Se ela perde a linha e usa a força contra o cidadão, a falha é exclusivamente dela.

Culpar a vítima pela “provocação” é o último refúgio de quem não tem argumentos éticos.

​O Coletivo Djanira não aceita esse malabarismo. Não aceitamos a inversão de culpa nem na Câmara, nem em lugar nenhum!

Quem não aguenta o brilho da democracia, que não tente apagar a luz de quem cobra por ela.

CONFISSÃO

A QUEM PERTENCE A CÂMARA?

​Muitos estão tentando usar a “mulher dos prints” e a teoria da provocação como tábua de salvação. Mas o Coletivo Djanira faz as perguntas que ninguém quer fazer:

O POVO NÃO É CONVIDADO, O POVO É O DONO!

A Câmara Municipal não é um clube privado, nem um quartel. É a CASA DO POVO. O cidadão não precisa de convite ou permissão emocional para estar lá, assistir e se manifestar.

​A Constituição Federal e a Lei de Acesso à Informação garantem que o espaço público é local de participação popular.

​Manifestar-se com cartazes, frases ou presença crítica é um Direito Político.

Se a autoridade se sente incomodada com a presença do povo, ela está no lugar errado.

​ A “PROVOCAÇÃO” É A MAIOR DAS CONFISSÕES

O argumento de que o presidente foi “provocado de caso pensado” é, na verdade, a maior autoincriminação que ele poderia fazer.

​Ao dizer que agiu com truculência porque foi provocado, o Cabo Samuel Paes CONFESSA que não tem preparo emocional nem estatura política para o cargo que ocupa.

​O contraditório é a base da democracia. Se uma autoridade não aguenta o confronto das ideias e parte para a força física, ela admite que não sabe lidar com o jogo político.

AUTORIDADE NÃO É SINÔNIMO DE AUTORITARISMO

O cargo exige equilíbrio. Quem senta naquela cadeira é pago para agir com o Regimento e a Lei, nunca com o braço forte e a vingança pessoal.

Se o “incômodo” gera agressão, não estamos diante de uma autoridade, mas de alguém que sequestrou o poder para uso próprio.

​Não interessa a “saia curta” da provocação. O que interessa é que quem deveria proteger a lei, foi o primeiro a rasgá-la.

Só paa encerrarmos essa polêmica da truculência na Câmara.

VEJAM O CUSTO DO ATRASO PARA AVARÉ

​Não se enganem, esse malabarismo na Câmara não custa apenas a nossa dignidade, custa o nosso desenvolvimento.

​Quem vai querer investir ou visitar uma Estância Turística que vira notícia nacional como o retrato do coronelismo de província dos cafundós do Brasil?

​O Turismo vive de imagem. O Comércio vive de estabilidade e respeito. Quando os nossos representantes dão esse vexame nacional, eles estão espantando investidores e manchando o nome da nossa terra para o mundo!

​Uma cidade que valida a truculência e o amadorismo político é uma cidade que fecha as portas para o futuro.

Não permitam que o nome de Avaré seja jogado na lama do atraso. O nosso comércio e o nosso turismo pedem respeito à Lei!”